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segunda-feira, 5 de julho de 2010



E se a vida real fosse como jogar The Sims? Onde nós podemos controlar cada passo, ter o corpo malhado, o cabelos dos sonhos, criar relacionamentos em horas e ganhar dinheiro apertando apenas três teclas. Poderíamos voltar atrás com cada emprego, relacionamento e amizade que fracassasse. Bastava não salvar tudo que vivemos, para termos a chance de fazer dar tudo certo. E se mesmo assim, a vida não fosse do jeito que planejamos, infelicidade não faria parte do nosso vocabulário. Toda vez que fosse difícil ser feliz, acumularíamos alguns pontos e mudaríamos rapidamente o nosso maior sonho, por algum que coubesse exatamente nas nossas mãos.

Nada que algumas horas em frente a televisão, uma ida ao spa ou uma viagem fora de hora para manter o cabeça cheia e um sorriso pronto no rosto. O chuveiro quebrou? A televisão pifou na hora que você resolveu assistir um programa que você sequer sabia que existia, só pra melhorar o seu humor? Compramos outro chuveiro, outra televisão, outra vida. Enjoou de ser morena, de olhos azuis e casada com um careca mau sucedido? Pronto, resolvido. É só esperar alguns minutos. O jogo vai salvar e podemos investir em outra vida mais interessante.

A vida seria previsível e nada mais teria a chance de nos machucar. Não saberíamos o que significa limite, dor, intensidade, erro e fracasso. Seríamos pequenos robôs, controlados pelo fluxo de interações que todo o resto decide por nós. Nós escolheríamos o homem da nossa vida, que por coinscidência (ou comodismo, entenda como quiser) seria nosso vizinho. Ele é casado e tem filhos, mas tudo bem. O casamento acaba, os filhos não vão ficar chateados com ele e o máximo que a ex mulher vai fazer é chutar sua lixeira em algumas madrugadas. Nada de recaídas e sentimentalismo. Só restaria frieza e aceitação.

Não saberíamos o valor de um abraço sincero, de um beijo apaixonado, de um amor não correspondido. Não teríamos o emprego dos sonhos, sequer poderíamos escolher o que fazer da vida. Sempre teria alguém dizendo o que, quando e onde deveríamos estar. Não saberíamos o significado de borboletas na barriga e mãos suadas quando vemos alguém especial. Não saberíamos o que significa indecisão, ansiedade, felicidade. Seriamos felizes por três dias. O tempo que dura uma gestação, uma promoção, um crescimento. Até sentirmos falta do que realmente dá sentido aos nossos dias. Nós não aprendemos com nossas conquistas, aprendemos com nossos erros, dores e toda a solidão que apresentam para gente com o passar dos dias. Duvide se não houver inimigos, solidão e insatisfação em algum momento. Não queira ser parte de um jogo, onde o controle é colocado acima de todos os sentimentos e vontades. Dedique horas do seu dia à ele, mas não esqueça que a realidade é muito mais interessante.

Reclamamos de falta de liberdade e independência, mas nunca paramos pra pensar que temos o mundo ao nossos pés. Ignoramos pequenos detalhes, pequenos amores, pequenos gestos. Estamos sempre querendo mais e mais, e esquecendo que o que realmente importa, nós já temos. Sem esse papo clichê de que só infeliz quem quer e que se o amor (ou a vida) não der certo, basta seguir outro caminho. Nós somos as criaturas racionais mais irracionais de todas. De que vale a inteligência, o dinheiro no bolso, a carreira dos sonhos e o casamento de anos que você se gaba pelos quatro cantos, se você não é feliz? Eu sou a favor da liberdade interior. Amo quando quero, quem eu quero e até quando achar necessário. Tenho minhas ideias fixas e vou seguir com elas até o dia que perceber que não vale mais a pena. Chuto o balde, sacudo os tapetes e lavo minha alma como se esse fosse o último dia da minha vida. Quer liberdade maior do que sentir, falar e ouvir o que der na telha? Não preciso do carro do ano, das festas mais badaladas e de uma carta de alforria para cometer todas as loucuras que minha família ou os meus amigos, em momentos de sanidade, me proíbam de fazer. Revolte-se quando achar necessário. Surte quando você não souber lidar com o que te perturba. O limite sempre esteve nas nossas mãos, só que estamos tão preocupados com todo o resto, que acabamos não tendo nada pra contar história.

5 comentários:

Amanda Guimarães disse...

HAHAAHHAAHA
Adoreeeeei.
Principalmente a parte do chutar a lata de lixo. Acontecia com frequencia cmg =/

rrsrsrsrsrs
Mas é verdade, imagina se pudessemos viver no The sims!?
eu sempre tive vontade de comer aquela bisteca de porco ^^ rsrsrs
Amei amiga, lindo.
E seu final sempre triunfal.
Vc é demais =) TALENTOSÌSSIMA.
Parabéns

Te amo MUUUUUUITO. E to com saudades ABSURDAS!

LSR disse...

A gente tem sempre aquela velha mania de dizer "ai se eu pudesse voltar atrás" ou que gostaria de não sofrer, de fazer diferente, de poder mandar.
E, provavelmente, vamos continuar falando isso determinadas horas.
Mas a graça da vida está exatamente aí. Tem de ser vivida. E não tem como passar uma borracha e nem dar reset. Por mais que muitas vezes possa parecer ruim, que doa, são nessas quedas que a gente aprende... e cresce!
Bom texto =)
Beijos!

jefhcardoso disse...

É, somos os autores da história.
Jefhcardoso do http://jefhcardoso.blogspot.com

Gabrielle :} disse...

Adorei muito! *-*
Por mais que as vezes eu sinta vontade de controlar tudo, é bom ter Deus controlando por você. É bom também a emoção de não saber o que vem pela frente e simplesmente se jogar.

Lindo o blog, passarei sempre aqui.
beijos

disse...

Passando pra avisar que mudei o Cabeça de Mulher pra http://entendendoelas.blogspot.com/

dps segue lá
;)


beijos!