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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010




Pedro me chamou pra sair, Lucas se ofereceu para carregar minha bolsa enquanto caminhávamos até a biblioteca, Rafael me liga quase sempre, João cancela qualquer compromisso quando chamo pra sair, Júnior sempre deixa claro que me quer em sua vida pra algum compromisso sério, Léo só quer diversão e não para de me olhar, Marcos exagera no senso de humor só pra ver se caio no seu papo, Matheus só quer me levar pra cama e desaparecer no dia seguinte, Robson jura que não consegue encontrar alguém melhor do eu. Murilo não consegue se conter e tenta me agarrar no corredor. Fábio me olha nos olhos com a maior intensidade que eu já vi na vida.

Eu conheço mil caras e juro que não entendo como gosto tanto do seu carro vermelho, da sua testa franzida de uma maneira que pede colo, das suas mãos inchadas, das suas promessas vazias, do jeito como você fala que me ama no pé do ouvido, dos seus abraços que esbanjam carência, da maneira como você adora discutir comigo as menores coisas, de como você é lindo de mau humor. Eu gosto tanto de você, que passei a gostar mais de mim. Eu me coloco em primeiro lugar para que você consiga me amar de uma maneira inexplicavelmente incrível. Não quero ser mais uma mulher maluquinha que você conhece, dá boas risadas e depois vai embora sem olhar para atrás. Então tira essa camisa e volta pra cama. Vem bagunçar meu cabelo, falar bobagem e me amar sem pressa, como se tivessemos a vida inteira pela frente.

Eu procuro explicação em búzios, tarot, astrologista, terapia, filmes e o diabo a quatro. Porque eu não quero sentir essa saudade do tamanho do mundo toda vez que você me dá um beijo de despedida. Não quero ter que sair correndo pra arrumar meu cabelo bagunçado, porque nós temos agendas apertadas e deveriamos estar em outro lugar. Não quero ter que aturar seus amigos idiotas enchendo a cara e fazendo piada ruim de madrugada só pra você me achar uma forte candidata para o posto de namorada. Não quero ter que largar minha familia em casa, viajar por uma hora e meia e ter que te dividir com mais cinco pessoas. Não quero a luz acesa enquanto falamos segredos ao pé do ouvido. Não quero me apaixonar, cada vez mais, pela sua familia enquanto você não me dá garantia nenhuma de futuro. Não quero ter que aturar seus atrasos só porque minha saudade é sempre enorme. Não quero ignorar minhas necessidades, porque você exige demais de mim. Será que você aguenta o tranco? Será que você aguenta me colocar na garupa e me levar junto com você?

sábado, 20 de novembro de 2010




Eu não tinha certeza do que me prendia a ele, mas também não fazia ideia do que não me deixava ir embora. Ele nunca passou se um cara comum, desses que eu poderia conhecer em qualquer barzinho, rodeado por amigos, mulheres descartáveis e boa bebida. E isso me angustiava mais do que o normal. Afinal, maior parte desses caras que conhecemos por aí são iguais, mas eu tinha certeza de que ele não se encaixava tão facilmente assim nessa laia. Eu queria saber se estava enganada, se ele realmente não era mais um cara banal que ia passar na minha vida.

Nos beijamos. Ele não precisou de mais de meia dúzia de palavras para me beijar. Um absurdo, eu sei. Mas naquele dia, eu quis testar os meus limites. O álcool não me dominava. Alias, verdade seja dita: Ele nunca me dominou. Mas como eu não faço nada na vida sem uma teoria ou justificativa, o usei sem pensar duas vezes. E naquele momento, ele deixou de ser mais um cara vazio. Em questão de segundos, eu já tinha percebido que estava me metendo em uma das maiores furadas da minha vida. Certos beijos possuem tanta intensidade, tanta entrega, que valem mais do que uma vida.

Nenhum diálogo, nenhuma amizade de anos ou qualquer envolvimento possível que eu poderia ter com ele, não se comparava a nossa afinidade. Eu queria saber dos seus medos, do seu passado, do seu sexo. Eu queria ter ele nas mãos com a mesma ansiedade de uma criança com um brinquedo novo. Sem perceber, eu havia me transformado em uma criança mimada, egoísta e ciumenta. Não dividia, não emprestava, não vivia. E quando abri os olhos e chorei o maior choro do mundo que eu finalmente percebi o quão profundo era o poço em que eu havia me metido. Desde o começo, eu sabia que ele era confusão das boas, mas o que algumas palavras bonitas não fazem? Que mulher não quer ser a exceção do cara que ama? Que mulher não procura sinais o tempo todo, na esperança de encontrar uma solução pro que machuca? Observação: Nesse momento, meu professor acaba de dizer, aleatoriamente, que uma vida boa não é de mais nem de menos, é a boa pra dois. Isso deve ser um sinal, não é? Triste realidade.

É, você, minha mãe, meus amigos e até mesmo meu professor de histologia acham que eu deveria colocar fim no que me machuca mais do que me faz bem. Mas será que alguém pode se colocar no meu lugar? Eu tirei toda a minha armadura, abandonei meus medos e ignorei meus princípios para ficar do lado dele. Ele descobriu coisas que eu não fazia ideia de que escondia. Fez meu corpo, minha alma, meu sorriso de mapa e explorou cuidadosamente cada sarda minha. E toda vez que me perguntam o que esse cara comum tem de tão incrível pra me manter fiel aos meus sentimentos mesmo na dor, eu me mantenho silenciosa. Sequer me dou ao trabalho de responder. Ele tem tudo ao seu favor e isso basta.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010




Oi? Eu que começo? Não sei bem como me comportar em uma situação dessas. É bem diferente do que eu esperava. Achei que seria mais fácil, levando em conta que nós sempre falamos dessas coisas com os amigos e no final, só resta dar boas risadas e deixar pra lá tudo que foi dito, né? Então, tá quente hoje, né? Vocês acham que amanhã vai chover? Eu não vou fazer prova final de semana, mas coitado do pessoal que vai. Tá ok, tudo bem, já entendi. Vou começar e parar de enrolar vocês assim. Oi, meu nome é Thais e eu tenho problemas com o desapego. Pronto, falei.

Não tem drama, teoria ou explicação. Demoro mais do que as outras pessoas para me desapegar ao celular que passei anos, daquela calça jeans que parecia se adequar a todos os meus passos e aos amores que eu juro que são os últimos que eu terei. Então, é isso. Eu me entrego facilmente a melancolia do "não ter" e depois de um tempo, é como se eu tivesse a maior dor do mundo dentro de mim. Eu sei, parece dramático demais e é, mas eu sou leonina. Não que isso seja uma grande desculpa. Eu sequer acredito tanto assim em astrologia, mas na hora que falta uma resposta na ponta da língua pra justificar os erros e a personalidade dificil de lidar, até de ascendente eu falo.

Minha falta de desapego é crônica. Não tem terapia e antidepressivo que dê jeito. Minha primeira paixão de colégio durou quatro anos, porque eu não olhava pros lados, como se namorasse sozinha. E não mudei muito. Basta o cara me dizer meia dúzia de palavras bonitas e descobrir meus pontos fracos, que eu já incluo fidelidade no pacote, como se fizesse parte da promoção o tempo todo e ele não tivesse percebido. É automático, não tem jeito. E quando tudo termina, eu fico assim, jogada pelos cantos, me achando a mulher mais boba de todas e querendo manter distância do sexo oposto. Sim, eu sei, eu mantenho distância e isso faz com que eu me apegue mais ainda ao falecido.

Me apego aos amores impossíveis e platônicos, aos meus celulares, a manter as unhas feitas toda semana, ao meu jeans preferido, a pensar na vida toda vez que pego ônibus, aos meus seriados, a educação em excesso, aos meus sentimentos que sempre são sinceros e até mesmo, em prendedores de cabelo. Não gosto muito de mudanças, mas acredito que são necessárias. Me envolvo de cabeça, corpo e alma em tudo que entro e tenho mania de contar toda a minha vida pra pessoas que eu mal conheço, esperando que elas tenham o mínimo de consideração e amizade por eu ter compartilhado meus segredos e sentimentos assim, sem hesitar. Eu sei, me desculpe, estou perdendo o foco. Mas isso é um apego também, né? Apego em compartilhar minhas felicidades esperando que o outro fique feliz também. Afinal, de que valeria a vida se não pudessemos nos apegar a pessoas que caminham ao nosso lado? É, eu sei que arrisco demais. Será que isso tem cura? Não sei não, heim. Será que é uma boa ideia? Eu posso pensar? Sei lá.. já passei tanto tempo convivendo com a ojeriza ao desapego que acho que me apeguei à ele.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010



O cara perfeito não me deixa louca, porque perdeu a hora com os amigos e esqueceu de dar notícias. Ele manda mensagem até no meio do futebol. Ele nunca cansa de me surpreender. Me manda flores e me enche de chocolates quando eu menos espero, nada de esperar datas comemorativas. Ele se veste bem, conhece bons restaurantes e está sempre disposto a me apresentar algo novo. Não cansa de me elogiar. Não cansa de dizer o quanto sou inteligente, bonita e especial. Ele não olha pra mais ninguém e me ama como se fosse a última pessoa por quem fosse se apaixonar. É intenso e carinhoso. Quase não tem ciúmes.

O cara perfeito é um completo cavalheiro. Adora as minhas amigas, passa horas conversando com a minha família e perde a noção do tempo quando brinca com meus cachorros. Não se atrasa, me enche de mimos e me acha a mulher mais bonita de todas mesmo quando chega de surpresa na minha casa, e me acorda com um beijo no olho. Fala palavrão só quando necessário, e quando fala, faz questão de se desculpar, e abre a porta do carro até quando a gente briga. Peraí, nós não brigamos. Nunca. O cara perfeito me faz a dona da razão, mesmo quando estou errada. Nunca se altera e sequer muda o tom de voz comigo.

O cara perfeito entende a minha tpm louca e não acha que é apenas uma invenção das mulheres. Ele vê comédia romântica no cinema. Aliás, ele vê o filme quando vai pro cinema comigo. Chega desses caras que escolhem o filme pela duração e querem me fazer de protagonista. Ele lembra todos os aniversários de mês de namoro, como se fosse o primeiro filho de um casal, sabe? Ah, como eu poderia esquecer disso... ele quer casar na igreja e ter, pelo menos, dois filhos. E faz questão de pedir a minha mão para o meu pai, como manda a regra.

Não some, não me trai e não me magoa. Parece que ele só dá um passo a frente depois de se certificar que o terreno é seguro para eu passar. Tem mania de proteção, é previsível, larga os amigos quando eu faço charme e não faz sexo, faz amor. Ele não bebe, não fuma e nunca experimentou nenhum tipo de droga. Vai à poucas festas, é caseiro. Prefere cinemas e teatros. Não é muito fã de lugares barulhentos com pessoas suadas e nenhum propósito de vida. Ele lê bons livros, escreve maravilhosamente bem e tem rostinho de menino mais novo, desses que dá vontade da gente colocar no colo e não largar nunca mais. Nenhuma barba, nenhuma história. Como se tivesse feito especialmente para você e ninguém tivesse tido a chance de tocar antes. E quer saber o melhor? O cara perfeito não existe. Ainda bem, porque ele seria um tremendo porre.

sábado, 25 de setembro de 2010



Ok. Ele tinha algo em especial. Afinal, me tirou do fundo do poço sem, ao menos, saber do quão funda era a minha solidão. Me deu a mão, me beijou como se tivessemos acabado de descobrir o beijo e passou a mão nos meus cabelos como se já me conhecesse há dias e soubesse exatamente de todos os meus pontos fracos. Ele despertou o meu lado mais romântico e sonhador. Eu não podia acreditar que finalmente as coisas estavam dando certo pra mim, depois de tantas escolhas erradas que já havia feito na vida. Eu sequer sabia pra onde correr enquanto ele estava na minha vida. E ele veio, cada dia mais, doce e sereno, agindo como se tivesse o mundo nas mãos e a pressa fosse sua pior inimiga. Não escondo meu choque, minha esperança e ausência de medo. Pelo contrário, procurei explicação na astrologia, nos livros, em búzios, cartas e todo o resto de enrolação que todo mundo diz existir. Eu só precisava que alguém me beliscasse e dissesse: Relaxa, Thais, não é só um sonho. As coisas finalmente estão dando certo pra você. E todos me disseram isso. Quer dizer, quase todos. Mas eu não me importava, ignorava todas as críticas e sinais negativos que você não era e nunca iria ser meu. E em um piscar de olhos, lá estavamos nós.. conversando sobre futuro, filhos, empregos. Com as mãos entrelaçadas e o coração quase saindo pela boca.

Poucas vezes na vida, ou melhor.. apenas uma vez, consegui encontrar alguém que realmente me fizesse pensar em futuro. De verdade, sabe? Sem aquela esperança boba dos casais temporários, que matam o tempo pensando em futuro, mesmo sabendo que nunca vão conseguir levar uma vida juntos. É de esperança de gente grande que eu tô falando. Eu quis que ele conhecesse minha família, mimasse meu papagaio e não tivesse hora pra sair da minha casa. E mesmo morrendo de medo, você me fazia esquecer de tudo e conseguia ser melhor do que todo o resto. Era só nós dois, no celular as cinco horas da manhã, fazendo mil declarações e sorrindo bobo. Nada mais importava. Aliás, isso era meio óbvio, não? Porque diabos eu ia ligar pro resto do mundo, se eu mal conseguia lidar com toda felicidade que explodia dentro de mim?

Demorei a acreditar que aquilo tudo era pra mim. Mas perdi as rédeas depois do primeiro Eu te amo. Eu não sabia se te abraçava pra sempre ou se segurava minha felicidade até você virar a primeira esquina, pra não te assustar. E naquele momento, eu descobri que era mais sua do que nunca. Como se já não bastasse tudo que me matava de felicidade, você ainda diz que me ama agora. Alguém tinha que avisar pra ele que isso não se faz. Não se dá tanto carinho pra um coração machucado. Eu já não tinha olhos pra mais ninguém. Ele me dava o básico de uma relacionamento e eu me portava como uma criança mimada, colocando as mãos nas orelhas, todas as vezes que alguém viesse com algum palpite tolo sobre nós. Ah, quer saber? Dane-se! Vou dar o meu melhor sem pensar duas vezes e... não me arrependi. Caramba, o que é isso? Ah sim, o alarme de perigo tocando.

Passou um, dois, três, seis meses. Abri meus olhos. Ele já não era o melhor cara do mundo. Já tinha virado mais um cara previsível. As promessas eram as mesmas de antes que não haviam sido cumpridas. Eram empurradas com a barriga, junto meu niilismo. Percebi que chegamos ao final, quando me perguntei: Cadê todo aquele amor ansioso que eu guardava dentro de mim? Ele aquietou. Meu coração de machucado pulou pra cansado. De cara incrível, você passou a ser mais um desses caras inseguros que querem abraçar o mundo, mas tem medo de dormir sozinho de noite. E todo dia, eu mato um pouquinho de você dentro de mim. Nada de músicas melancólicas e masoquismo típico do fim. Eu te mato sendo feliz. Abro as mãos e deixo as migalhas irem embora. Sem lágrimas, sem dor, sem ilusão. Eu te desejo tudo de melhor e espero que você queira o mesmo pra mim, por isso, peço pra que me deixe ir embora. Meu coração acelera, penso que não vou conseguir resistir, mas mantenho minha decisão. Coloco as mãos no seu rosto, enquanto olho pra você pela última vez e beijo delicadamente seus olhos. Sem pressa, não quero perder nenhum momento. Como um mantra, uma simpatia, uma despedida. Obrigada, eu penso. Deixo a chave em cima da mesa, bato a porta e sorrio aliviada.

domingo, 19 de setembro de 2010



Sem essa que desamor não dói e apenas a indiferença machuca de verdade. Ainda não encontrei nada pior do que a espera. A espera por um telefonema do cara incrível da noite passada, do resultado do exame de gravidez, da lista de aprovados do vestibular, de um pedido de casamento, de encontrar um rumo, uma carreira, uma vida que te faça feliz. Sempre fui a Senhora Impaciência. Passei a vida inteira sendo a favor de soluções drásticas e de problemas resolvidos na hora, sem essa história de empurrar com a barriga e deixar pro dia seguinte. Não gosto de fazer os outros esperarem minhas decisões, muito menos meus atos. Sempre estou arrumada antes do tempo previsto, chego nos encontros na hora certa e não suporto esperar por ninguém. Se administro meu tempo, porque as pessoas não podem fazer o mesmo?

Não acredito que exista hora certa para se apaixonar, momento certo para engravidar, lugar certo para conhecer a pessoa da sua vida. Sou impaciente demais pra deixar tudo nas mãos do destino. Eu quero e quero agora. Chamem do que quiser, inventem mil nomes e defeitos pra minha maneira de levar a vida. Eu não me importo. Ainda acredito que é melhor estar ligado a mil por hora do que andando a vinte e sendo infeliz. Odeio depender dos outros para ser feliz, mas dificilmente consigo viver sozinha. Não gosto de estar com gente que não sabe o que quer da vida e principalmente, do coração. Eu posso te amar pra sempre se você souber lidar com o que tem nas mãos. Fui criada e educada para a eternidade. Só me entrego pra quem tenho certeza de que amo, só aposto minhas fichas no que realmente acredito.

Não entendo como alguém tem dúvidas se está apaixonado ou não, castigando o outro com a distância e a saudade. É claro, existe saudade boa, saudade gostosa.. dessas de um dia pro outro. Do Eu te amo no pé do ouvido, do cheiro da pessoa amada na sua nuca, dos abraços acolhedores que ninguém tem igual. Mas saudade do beijo, da presença, do calor é a que mais dói. Estava pra nascer quem me tirasse de casa seja na chuva ou no sol, só pra ter algumas poucas horas de felicidade. Quem me fizesse cometer loucuras só pra dormir melhor a noite, realizada e sem qualquer culpa. E é nesse momento que percebo que não sei nada da vida.Conheci pessoas incríveis que me apresentaram o amor em várias intensidades e tamanhos, achei que já tivesse chegado ao meu limite de paixão e dor. E não é que eu estava enganada? Sem esse clichê de que o melhor amor, sexo, beijo ou seja lá o que for, é sempre o último da nossa vida. De jeito nenhum! Ninguém tem aquele beijo, aquelas mãos, aquele coração.

Veja bem, não estou falando de perfeição. Está longe disso. Ele sempre vai morar longe demais e parecer grande demais pra minha vida. Mas ainda assim, vai me fazer sentir uma saudade nunca vista antes e morrer um pouquinho em cada noite que passo sozinha, depois de uma briga. Por ele, deixo meu orgulho de lado, volto atrás e não me sinto boba. E não, se você não está apaixonado na mesma intensidade, não me julgue. Você nunca vai ser capaz de entender e vai dizer que só passo de uma menina perdida que fantasia demais o amor. Ninguém nunca será capaz de entender o bem que ele me faz. Pode não ser o suficiente pra minha família, pros meus amigos e para os caras que acham que mereço coisa melhor. Lá vai: Eu não mereço! Ele é exatamente o meu número. Pode falar o quanto quiser que tudo vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Além de mimada, geniosa e egoísta, também sou teimosa. O segredo da felicidade é não deixar os outros interfirirem no que realmente me faz feliz. Não quero viver com medo, muito menos colocando freio em tudo que sinto e digo. A adrenalina tira meus pés do chão e é desse jeito que eu sou feliz.

terça-feira, 31 de agosto de 2010




As mulheres crescem com os mesmos medos. Medo da menarca, de não mexer com a cabeça do sexo masculino, da primeira vez, do dia seguinte, do telefone nunca tocar, do corpo não se encaixar nos padrões que as pessoas criam, de nunca achar um amor correspondido, de terminar sozinha, da dor do parto, de barata, de não ter orgasmo. Os homens crescem com medo de fazer feio com o sexo oposto, da puberdade precoce, de ser o último a ser escolhido no futebol, de virgindade, de mostrar insegurança e ser hostilizado, de dizer pro pai que não quer seguir sua profissão, de ter um amor e ser fiel. Afinal, que homem (ou eu deveria dizer: que pessoa?) nunca teve medo de amar na hora errada e deixar de conhecer todas as coisas (e pessoas) pelo caminho? Mal sabem que o melhor da vida é feito a dois, que um relacionamento não tem hora certa pra acontecer. Mas tudo bem, o tempo ensina. Ou não.

Todos os medos se tornam compreensiveis a partir do momento que te dão limites. Se você não leva mais ninguém a sério e tem fobia de relacionamentos só porque o último não deu certo: Abre os olhos! As pessoas que mais insistem em nós, são as que mais valem a pena. Se você estudou e sacrificou todos os seus finais de semana por que sonha em ser médico ou advogado, mas não deu pra você: Lave o rosto e parta para a próxima batalha. Se é o seu sonho, não deixe que seu lado negativo aflore e perturbe o resto de esperança que te resta. Tudo que é conquistado fácil demais perde a graça. Bom mesmo é o gosto da vitória. Você sabe que perdeu anos, dispensou saídas, estudou além dos seus limites, se superou, trabalhou até seu corpo dizer não e no final, os resultados não poderiam ser melhores.

Eu tenho mil medos e fobias. Tenho medo de altura, mas tenho loucura para andar de avião. Tenho medo de me afogar (já que não sei nadar), mas faria facilmente um cruzeiro. Tenho medo de gente, mas ainda não encontrei nada melhor do que o amor. E tenho medo de machucar os outros. Diria que é raro, se não for impossível, me ver sendo egocêntrica. Não consigo usar pessoas só pra passar o tempo e não faço ideia de como se fica com uma pessoa que gosta de mim, enquanto eu não sinto nada além de carinho. Fico neurótica e me coloco o tempo todo no lugar dos outros. Não enrolo pessoas, não sei falar de sentimentos que não existem, não sei me acomodar com o que me perturba, e qualquer desamor me atormenta. E por essas e outras, morro de medo de terminar sozinha. Mas penso: Será que essas pessoas cheias de amores descartáveis não são os verdadeiros solitários? Eu não. Sou solitária, me apaixono por caras que dizem não pensar em outra pessoa, mas que basta eu virar as costas que eles repetem as mesmas frases e toques para qualquer rabo de saia que esteja disponível. Acabo me conformando com migalhas e seguro todos os farelos com as duas mãos, pra não perder nenhum sorriso.

Passei a vida superando meus pequenos medos. Medo de sofrer por amor, de tatuagem, piercings exóticos, extrair ciso, vacina, quebrar algum membro, bater a cabeça, depilação com cera quente, de perder quem eu amo, de decepcionar meu pai e principalmente, de envolver minha mãe nas minhas confusões. Tive medo de reprovação, de julgamento, de me acomodar com o que não me faz feliz, de ficar velha demais pra ir pra Disney, de sair da asa dos meus pais, de fazer algumas loucuras saudáveis, de ser feliz demais e não saber lidar com isso. E o medo de pensar demais? Porque sempre perco grandes chances. Em compensação, quando penso de menos, acabo morrendo de arrependimemto e me encho de desculpas terrivelmente ruins. Nós temos medo de nascer, de morrer e de trocar os pés pelas mãos nesse intervalo de tempo.

domingo, 15 de agosto de 2010



Preciso cortar o cabelo. Mas será que eu ainda tenho dinheiro guardado? Peraí, que dia é hoje? Ih, não acredito, o aniversário do meu irmão está chegando. Eu preciso MESMO ter dinheiro guardado. Tenho que tirar xerox de bioquimica para estudar pras provas do mês que vem. Chopada de medicina? Definitivamente, não é pra mim, nem um pêlo do meu corpo sequer mudou de posição interessado. Preferia passar o dia com ele. Ah, prometo não cismar nem me apaixonar por mais nenhum cara com pouco tempo e muitas mulheres. Puts, tinha hora pior pra minha unha quebrar? Claro que não, Thais! Tinha que ser dentro do ônibus, quando você não tem uma lixa, muito menos um remédio pra cólica infernal que já acabou com o humor do meu mês inteiro. Será que esse motorista comprou a carteira dele? Como corre, nunca vi. Não acredito, não acredito, não acredito. Esqueci meu óculos em casa de novo! Ok, quando eu tiver perdido 90% da visão, talvez o meu cérebro queira trabalhar um pouco mais e se interesse em me lembrar. Ai, que saudade dele.. E aquele beijo no olho? E aquela mulher que ia ser uma sogra incrível? Por que diabos ele tem que se encaixar tão bem nos quesitos da minha lista? Em vez de lembrar do meu meu óculos e da senha do meu cartão de crédito, você só faz questão de ficar me torturando com lembranças, né? Cérebro idiota.

Sorri. Eu estava sentada perto de uma janela que não fechava no ônibus e ventava tanto, que eu achei que nunca mais ia conseguir arrumar meu cabelo na vida. Estava um calor infernal, minha cólica estava me matando, um cara qualquer falou coisas sujas quando eu estava passando e eu jurei que ia ser assaltada quando atravessei a passarela. Tudo estava contribuindo pro maior mau humor do ano. Até que eu entrei no ônibus, me perdi em pensamentos desconexos e dei o maior sorriso do mundo sem perceber. Quer dizer, só percebi quando peguei o trocador me olhando fixamente e me chamando de maluca pelo olhar. Mas é sempre assim: Eu me apaixono pela maneira como a minha imaginação ostenta meus sentimentos. Minhas dores duram três dias, minhas lágrimas caem por três horas. E logo depois, meu lado emocional passa horas se gabando pro meu lado racional.

Quando eu menos espero, começo a relembrar tudo (Ou deveria especificar que apenas uma pessoa é responsável pelos meus sorrisos que assustam trocadores?) que me fez muito feliz nos últimos seis meses. Esqueço rapidamente da angústia, da espera e dos olhos fechados. Morreria para ganhar de novo aquele beijo no olho, aquele abraço que me deixou com o cheiro dele, pra ter aquela mão entrelaçada na minha. Não é todo dia que encontramos alguém que desacelera nossa impaciência, aumenta nossa frequência cardíaca e embaralha nossos instintos de sobrevivência. E eu morro de medo de você me perder e não saber nem metade do carinho que eu guardo aqui dentro. Tenho vontade de te sacudir, mandar você deixar de ser burro dessa maneira e olhar pra mim de novo. Mas não, me preservo, me machuco.. na esperança do meu celular tocar e sua voz acalmar toda a agonia que me cerca quando você está longe.

sábado, 24 de julho de 2010




Você já teve um grande amor? Não sabe? Você já teve alguém que bagunçou toda a sua vida, confundiu suas certezas e passou a controlar toda a mistura de sentimentos inéditos que você sequer fazia ideia de podia existir? Você já teve medo daquele ser o último beijo, o último abraço, a última vez que você ia sentir o perfume dele marcado na sua roupa? Você quis que ele fosse seu para sempre sem, ao menos, saber o que era o para sempre? Você já teve a impressão de que todas as músicas do seu ipod tornaram-se, em um piscar de olhos, trilha sonora de vocês? Você está sorrindo nesse momento, só porque respondeu sim para todas as perguntas e agora está convicta de que realmente teve um grande amor. Mas, sinceramente? Bobagem, eu sempre sou sincera, você querendo ou não. Você não teve um grande amor, não mesmo. Esse tipo de coisa acontece quando temos doze anos e não sabemos a diferença de amor para paixão.

Amor de verdade não acaba. Não diminui com uma toalha molhada em cima da cama, mesmo ele sabendo que te deixa louca quando faz isso, com a ligação que ele esqueceu de fazer, mesmo você repetindo constantemente que não consegue pregar os olhos até ele dar notícias. Quem ama de verdade, perdoa. Sabe o quanto vai ser difícil para lidar com o que outro fez, mas deixa para pensar nisso depois. Quem ama de verdade, sabe que o ódio anda de mãos dadas com o amor. Sabe que ambos se tornam companheiros inseparáveis e requer cuidado ao extremo para não machucar o outro. Amar é ser egoísta a vida toda e ter vontade de dividir seu último pedaço de chocolate, é descobrir um romantismo que nunca te pertenceu antes e usa-lo como se sempre fosse a última romântica do mundo, é finalmente entender a mágica que os casais dizem sobre ver o outro dormir, é não achar o suficiente ter o cara para você, é querer levar ele na sua casa e apresentar para toda a sua família. É ter vontade de mostrar para todo mundo o quanto ele te faz feliz e depois esconde-lo num potinho para não perder sequer um sorriso. É querer cometer loucuras momentaneas, mesmo sabendo que quando a adrenalina acabar, você terá que explicar suas atitudes.

Sabemos que amamos de verdade quando a presença dele nos persegue aqui ou na China, quando o homem dos seus sonhos te dá bola e você não tem vontade nem de contar vantagem para suas amigas, muito menos, dar confiança para ele. Quando sabemos que por mais que ele erre o tempo todo, ninguém deve dar palpite, tentando mudar seus sentimentos ou opinar sobre a relação de vocês. E se nada der certo? Tudo bem, você chora, grita e procura sinais e teorias que possam explicar porque algo tão grande e bonito não deu certo. E mesmo com toda a dor que ele te deixou, mesmo você não sendo o amor da vida dele, você não se importa. Apenas bate os ombros e se pergunta: "Se eu tivesse resistido, será que valeria a pena?". E canto sozinha que o caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor.

sábado, 17 de julho de 2010



Já faz tanto tempo e parece que foi ontem que você foi embora, e sequer olhou pra trás. Meu coração e meus olhos ainda agem da mesma maneira. Desordenados e cheirando a ressaca. Mas eu não quero voltar no tempo. Não espero piedade, notícias e muito menos, amor. Você não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que deixei o cabelo crescer, qual o livro que estou lendo, com quem estou me envolvendo. Não sabe que ainda penso em nós dois de vez em quando e ainda me assusto com a maneira que você participa da minha vida. Você não sabe que passei no vestibular e uma vez ou outra, ainda procuro saber de você (Indiretamente, eu juro!). Não sabe que sua felicidade me faz feliz, mas me machuca muito. Você não sabe mais nada sobre mim e eu ainda te amo.

Eu não cresci, não pareço mais velha nem mais inteligente. Continuo acreditando que o amor é a solução e a justificativa para tudo. Meu cabelo continua tendo vida própria, meu sorriso ainda é inocente e minhas mãos permanecem suadas o tempo todo. Não me envolvi com pessoas fantásticas desde que você foi embora, não tomei coragem para terminar meu curso de inglês nem para começar o de francês. Não viajei o quanto queria, muito menos fiz tudo que eu dizia que ia fazer quando conseguisse passar para a faculdade. Eu continuo usando irregularmente os óculos, tendo enxaquecas constantes e insônias destruidoras. Não perdi a mania de descascar todo o esmalte das minhas unhas, de usar a minha mochila colorida que te assustava toda vez que me via, não deixei de comer um monte de besteiras, enquanto você é preocupado com a boa forma. Ainda tenho aquele velho hábito de só ir pra academia quando minhas calças apertam ou acordo mau humorada. Não deletei o blog que começou com a sua despedida, ainda chego antes quando marco com alguém, não consegui deixar de associar você com o shopping que frequentávamos todo domingo (Quando vejo Era do Gelo então..). Não tomei coragem pra entrar na autoescola, ainda sou viciada em tecnologia, não largo meu celular nem por um segundo.

Eu continuo sendo louca por bis branco e aqueles filmes românticos que nós sempre sabemos o final, mas fingimos ser novidade. Não perdi a esperança de encontrar o amor da minha vida e ainda escondo de muita gente, o meu lado romântico. Ainda não sei cozinhar e reconheço seu cheiro no meio de um shopping lotado de gente passando rapidamente por mim. Você não sabe nada sobre mim e levou todo o meu melhor quando foi embora. Mas assim como você não sabe nada sobre mim, eu também não faço ideia de como você esteja. Não sei se ainda tem o mesmo cheiro de tomei-banho-para-sempre, se o seu sorriso ainda continua lindo e se a sua pontualidade ainda é seu ponto forte. Não faço ideia se continua sendo virginiano demais, lotado de manias e responsabilidades, fingindo ser o homem mais forte do mundo, enquanto morre de vontade de correr pro colo da mãe quando ninguém está olhando. Não sei se ainda pensa em mim quando escuta a nossa música ou come no Spolleto. Espero que não pense em ter filhos ou levar o seu novo amor à Paris. Eu não sei nada e sei tudo.

Tenho vontade de pegar o primeiro avião e sair te procurando por aí, como nesses filmes americanos. Transbordando certeza, confiante de que você pensa em mim e só segue a vida desse jeito, para não se machucar (e me ferir de brinde). Não acredito que você seja tão egocêntrico como foi da última vez e desconfio de cada Te amo que você diz para outras pessoas. Em compensação, meu lado racional prova que não me deixou na mão. Me mostra uma série de evidências que te culpam até vida que vem e me fazem jogar a esperança no lixo, nada de colocar em baixo do tapete, não sou fraca assim. E no segundo seguinte, quando percebo que estou pensando em você, coisa que não fazia faz tempo, dou um sorrisinho de lado e me pergunto até onde vamos por alguém. Coloco a mochila nas costas e desço do ônibus rapidamente. E sorrio de novo, quando encontro quem me libertou de todos os meus medos desde que você foi embora. Pode não ser o melhor partido de todos, mas ele é exatamente como eu sonhei, cabe direitinho na minha vida e não cansa de causar um eterno rebuliço nas minhas emoções.

segunda-feira, 5 de julho de 2010



E se a vida real fosse como jogar The Sims? Onde nós podemos controlar cada passo, ter o corpo malhado, o cabelos dos sonhos, criar relacionamentos em horas e ganhar dinheiro apertando apenas três teclas. Poderíamos voltar atrás com cada emprego, relacionamento e amizade que fracassasse. Bastava não salvar tudo que vivemos, para termos a chance de fazer dar tudo certo. E se mesmo assim, a vida não fosse do jeito que planejamos, infelicidade não faria parte do nosso vocabulário. Toda vez que fosse difícil ser feliz, acumularíamos alguns pontos e mudaríamos rapidamente o nosso maior sonho, por algum que coubesse exatamente nas nossas mãos.

Nada que algumas horas em frente a televisão, uma ida ao spa ou uma viagem fora de hora para manter o cabeça cheia e um sorriso pronto no rosto. O chuveiro quebrou? A televisão pifou na hora que você resolveu assistir um programa que você sequer sabia que existia, só pra melhorar o seu humor? Compramos outro chuveiro, outra televisão, outra vida. Enjoou de ser morena, de olhos azuis e casada com um careca mau sucedido? Pronto, resolvido. É só esperar alguns minutos. O jogo vai salvar e podemos investir em outra vida mais interessante.

A vida seria previsível e nada mais teria a chance de nos machucar. Não saberíamos o que significa limite, dor, intensidade, erro e fracasso. Seríamos pequenos robôs, controlados pelo fluxo de interações que todo o resto decide por nós. Nós escolheríamos o homem da nossa vida, que por coinscidência (ou comodismo, entenda como quiser) seria nosso vizinho. Ele é casado e tem filhos, mas tudo bem. O casamento acaba, os filhos não vão ficar chateados com ele e o máximo que a ex mulher vai fazer é chutar sua lixeira em algumas madrugadas. Nada de recaídas e sentimentalismo. Só restaria frieza e aceitação.

Não saberíamos o valor de um abraço sincero, de um beijo apaixonado, de um amor não correspondido. Não teríamos o emprego dos sonhos, sequer poderíamos escolher o que fazer da vida. Sempre teria alguém dizendo o que, quando e onde deveríamos estar. Não saberíamos o significado de borboletas na barriga e mãos suadas quando vemos alguém especial. Não saberíamos o que significa indecisão, ansiedade, felicidade. Seriamos felizes por três dias. O tempo que dura uma gestação, uma promoção, um crescimento. Até sentirmos falta do que realmente dá sentido aos nossos dias. Nós não aprendemos com nossas conquistas, aprendemos com nossos erros, dores e toda a solidão que apresentam para gente com o passar dos dias. Duvide se não houver inimigos, solidão e insatisfação em algum momento. Não queira ser parte de um jogo, onde o controle é colocado acima de todos os sentimentos e vontades. Dedique horas do seu dia à ele, mas não esqueça que a realidade é muito mais interessante.

Reclamamos de falta de liberdade e independência, mas nunca paramos pra pensar que temos o mundo ao nossos pés. Ignoramos pequenos detalhes, pequenos amores, pequenos gestos. Estamos sempre querendo mais e mais, e esquecendo que o que realmente importa, nós já temos. Sem esse papo clichê de que só infeliz quem quer e que se o amor (ou a vida) não der certo, basta seguir outro caminho. Nós somos as criaturas racionais mais irracionais de todas. De que vale a inteligência, o dinheiro no bolso, a carreira dos sonhos e o casamento de anos que você se gaba pelos quatro cantos, se você não é feliz? Eu sou a favor da liberdade interior. Amo quando quero, quem eu quero e até quando achar necessário. Tenho minhas ideias fixas e vou seguir com elas até o dia que perceber que não vale mais a pena. Chuto o balde, sacudo os tapetes e lavo minha alma como se esse fosse o último dia da minha vida. Quer liberdade maior do que sentir, falar e ouvir o que der na telha? Não preciso do carro do ano, das festas mais badaladas e de uma carta de alforria para cometer todas as loucuras que minha família ou os meus amigos, em momentos de sanidade, me proíbam de fazer. Revolte-se quando achar necessário. Surte quando você não souber lidar com o que te perturba. O limite sempre esteve nas nossas mãos, só que estamos tão preocupados com todo o resto, que acabamos não tendo nada pra contar história.

quarta-feira, 30 de junho de 2010



Ando (re)conhecendo vários tipos de homens que estão ao meu redor. O cara mais novo que passou pra faculdade e vai ter que sair de casa, e largar a famlia e a namorada de anos para seguir seus sonhos. E nem por isso, dói. Ele termina o namoro como um cachorro quente da esquina, e antes de pisar em terra firme, já quer fazer planos com a minha companhia e me assusta, me afasta rapidamente. O cara que me conhece há anos, tem os mesmos amigos e só reparou em mim agora. O ex namorado que me fez sofrer e agora tenta ser meu amigo. O irmão da minha amiga, que era bonito quando eu frequentava sua casa e agora que se tornou um cara sem graça, olha pra mim com outros olhos. O bombado narcisista que passa o dia na academia, enche o orkut de fotos sem camisa, nunca tira o boné e garante que quer ser médico.

Tem o cara mais velho, experiente e interessante. Cheio de frases bonitas e teorias prontas que com certeza, deixaria maior parte das mulheres loucas. E o mais surpreendente: Ele é realmente para casar. Não pensa em noites perdidas e pessoas vazias, só entra de cabeça no que promete futuro. E o cara que sempre esteve me sondando? De família, com emprego fixo, carro do ano, vinte e poucos anos e querendo investir em mim. Bom de papo e dizem as más linguas, que de cama também. Me enche de declarações e não desiste de mim, mesmo depois de conhecer o meu pior. Tem o cara das pernas malhadas, o que vem cheio de boas referências dos amigos em comum, o tatuado que faz cinema, o que não sabe falar da vida e deixa claro seu interesse momentâneo, o que me pagou um milho e achou que eu daria meu coração como troco, o que era acompanhava minha amiga e não respeitou (nem entendeu) a minha rejeição, o ex namorado que nunca me superou e um velho amigo que acha que me provoca alguma coisa quando lembra das nossas picuinhas do passado.

Eu tenho milhões de caras interessantes. Caras que poderiam marcar a vida de inúmeras mulheres solitárias por aí, mas eles não entendem e ainda perdem tempo comigo. Ainda não compreendo porque bato palmas (de pé) para quem vale a pena, mas só entrego meu coração para o incerto. Eu gosto mesmo é das suas mãos pequenas e inchadas, e sorrio toda vez que você diz que elas só são gordinhas assim por causa da bebida. Não troco sua ausência. Não consigo te odiar nem quando você diz que está com sono, mesmo depois de eu ter feito loucuras só para estar do seu lado. Gosto da maneira como você brinca com o que seria vulgar ou poderia machucar vindo da boca de outra pessoa. Gosto como você desperta o meu romantismo, o frio na barriga e a esperança. Mas odeio seus sumiços, os passatempos que você conhece onde anda, o quanto você me deixa louca de saudade, o jeitinho manso que você desperta minhas melhores qualidades e os piores defeitos, que sempre manti em cativeiro e achava ter total controle.

Eu amo seus beijos, odeio sua desconfiança. Eu amo seu carinho, odeio nossa distância. Eu amo o jeito que você me olha, odeio depender de você. Eu amo os seus ciúmes e cuidados, odeio não ser a única a recebe-los. Eu amo seus abraços aleatórios, odeio quando você me faz chorar. Eu amo quando meu cabelo enrosca na sua barba, odeio quando seu sumiço afeta toda a minha vida, inclusive o meu humor. Eu amo quando você me segura pela mão para eu não cair, quando eu não enxergo onde piso, odeio o fato de você não gostar de planos. Eu amo o seu romantismo fora de hora, odeio como esqueço de todas as brigas quando você diz que quer me ver. Eu amo você. I love everything about you that hurts.

quinta-feira, 24 de junho de 2010




Eu sempre tive medo do minuto depois que você vai embora. Do minuto depois que escuto a porta da sala batendo e meu coração sente vontade de sair correndo atrás de você, de tão rápido que cisma em bater. Você chegou quando eu mais precisava de carinho. Me deu a mão, disse um monte de coisa sem sentido e me fez sorrir quando eu já não sabia mais o que isso significava. Desde então, fiz dos seus braços, um refúgio. Eu não queria me apaixonar, me envolver e sequer esperava conhecer alguém aquele dia. Eu não esperava nada e você foi tudo de mais simples e confuso que eu experimentei. Me apeguei, me enrosquei e fiz o possível pra você ser meu. Eu gosto dos seus beijos, dos seus carinhos, dos seus sorrisos. Gosto da maneira de como você me amassa, me descabela, me desorienta e eu nem tento me conter. Gosto de como você tira meus freios aos poucos e eu não sinto dor ou medo do seu lado. Mas odeio quando você some depois de uma declaração, permanece com o cheiro de outras mulheres e me deixa com a sensação de não passou de uma noite qualquer. Odeio quando você desperta ineguranças que eu nunca tive e mente mesmo quando sei a verdade.

Posso te contar um segredo? Um não, um monte. Eu tenho medo de ser feliz demais, mas ser sozinha. Por isso, preciso constantemente que você prove o quando gosta de mim. Não quero mensagens, ligações, declarações e chocolates, quando só o seu corpo pode suprir toda essa solidão enorme. Eu não quero ser fiel à você, te amar e cometer loucuras. Sozinha, não. Eu te quero por inteiro e se você não estiver disposto a enlouquecer e ser meu, sem vírgulas ou observações, pode ir. Corre pros braços dela. Eu engulo meus ciúmes, minha ânsia de viver e escondo a minha dor em baixo de qualquer tapete velho. Esqueço suas mãos, seus toques e as manias que criei depois que te conheci. Não é tão difícil. Já doeu mais, já me machuquei várias vezes e sempre consegui levantar. Por mais que demore, eu sempre consigo.


O amor não pede razão, preferência e sequer se trata de uma questão de multipla escolha. Eu repito isso todas as noites, enquanto finjo não esperar uma ligação sua. E penso que se você fosse realmente prevísivel, eu não daria a mínima. Mas tudo bem, é sempre assim. Você aparece, me coloca no colo e me enche dos melhores sentimentos que eu já conheci. Me faz querer entregar minha vida nas suas mãos. Me faz querer amar de novo. Aceito suas imperfeições como uma mãe aceita os defeitos de um filho. Te entrego minha alma, minha vida, meu corpo, meu sobrenome, com a esperança de você me ensinar como se vive de verdade e me proteger de todo o resto. No fundo, eu só quero que você me peça pra ficar.


Não, eu não estou abrindo mão do nosso plural por drama, muito menos por falta de amor. Não faz essa cara, não fala essas coisas. Sempre me machucam demais e eu não quero deixar meu orgulho de lado novamente, só pra te ver feliz. E é sempre assim.. vivo me cobrando todos os princípios e opiniões formadas que tenho que ter na ponta da língua, como forma de proteção, pra não parecer submissa ou mulherzinha demais. Mas você vem, arruma a mecha desobediente da minha franja e desarruma o meu vestido. Me diz mil frases, eu só presto atenção em dez palavras e mesmo assim, você parece ter razão. Eu sei viver sem ter você, sei sentir desejo por outras pessoas (mesmo que não saia do pensamento) e não me enfiei em nenhum caminho sem volta desde que te conheci, mas quando você passa, deixa o ar com cheiro de segurança e me faz pensar em coisas bonitas que fazia tempo que eu não pensava. E eu me pego confessando, no escuro, que não quero ter razão, freios e limites. Quero dar um nome, uma vida, um amor. Eu só quero ter você.

sábado, 19 de junho de 2010




Hoje eu acordei cansada da fantasia. Quis dar um soco em todo o meu romantismo, com a esperança de ele revidar toda a dor com lágrimas. Eu tentei chorar, comer um chocolate, achar uma teoria e até pensei em me envolver com outras pessoas. E todas as vezes, me perguntei: Por que? Sejamos sinceros para não sermos idiotas! Do que adianta eu seguir minha vida, me encher de amores vazios e matar o tempo com drinks baratos? Ele é o melhor do mundo, mas não é meu. Sabe me fazer dar boas risadas e faz futuro com todos os detalhes que nos cercam. Todo pisciano é uma boa companhia. De perto ou de longe, ele vai te render bons momentos.

Ele tem tudo que uma mulher pode querer. É gentil, carinhoso, bagunça meu cabelo em um piscar de olhos, tem as mãos mais bonitas de todas e me enche de chocolates. Mas é nessa hora que me pergunto: Quando a exclusividade é importante? Enquanto eu quero deitar na cama dele em silêncio, sussurrar declarações no meio da noite, contar meus segredos, assumir meus medos e meias encardidas, e fazer questão de mostrar como todo o resto fica desinteressante quando ele não está perto, ele simplesmente sorri, diz que eu sou linda e que me ama. Eu sei, é o que toda mulher quer. Eu não reclamo do que ele me oferece. Reclamo do quanto, porque não é o suficiente.

Ele não me deu o primeiro abraço quando passei no vestibular, não esteve comigo na minha formatura, não conheceu minha família, não é louco por literatura, não sabe meu nome todo, não chega na hora certa e sequer sabe do medo enorme que tenho da vida. Mas me surpreende, me acorda com uma ligação só pra dizer o quanto é apaixonado por mim, me fez gostar de beijo longo, me faz sentir uma saudade que nunca senti antes, me faz cometer loucuras e deixa o perfume marcado na minha pele facilmente.

Existe egoísmo maior do que querer que uma pessoa seja só sua, quando você é de todos? Eu sei que o que você ofereceu foi o suficiente para me fazer uma pessoa mais feliz. Sempre coube exatamente no meu colo e nos meus braços. Mas na minha vida não. Você sempre pareceu um número maior e nem por isso, desisti. Já que nada dá certo na primeira tentativa, por que não investir? E você veio com cara de menino carente, me dizendo uma dúzia de coisas que me fizeram sorrir durante uma semana, me tratando como a melhor mulher do mundo e dizendo Te amo quando eu menos espero. E eu fiquei parada. Não sabia se corria pra você ou de você. Depois de carregar um coração cheio de marcas do passado, nunca soube exatamente quando conseguiria arriscar de novo. E eu surpreendi todo mundo. Te dei a mão, perdi a noção das horas, dos dias, do meu juízo. Seja esperto, não me perca. Eu não estou nas suas mãos e posso muito bem me virar sozinha. Eu desarrumo o tabuleiro, chuto as peças e ignoro a dança dos erros. Eu decido a hora que o jogo termina.

sábado, 12 de junho de 2010



Eu corro pra tomar uma dose de realidade, só pra não aumentar o tamanho do seu charme e da ilusão da minha importância na sua vida. Só pra não ficar fantasiando um monte de coisas que amanhã ou depois vão me ferir. E me esfrego no banho, até sentir dor. Até desviar meu pensamento de dores antigas e concluir, mais uma vez, que não existe dor maior do que a de um coração partido. Faço o diabo a quatro pra não me apaixonar por você. Ando em linha reta, me encho de notas mentais e faço de tudo para não lembrar (muito) das suas melhores qualidades.

E de nada adianta. Meu corpo me sabota. Sinto saudade do seu cheiro, da sua respiração na minha nuca, da sua facilidade em bagunçar meu cabelo. Faço questão de lembrar o quanto gosto das suas mãos, do seu queixo, das suas implicâncias. Tenho vontade de morder você todinho e te chamar de meu, mas tenho que me controlar. E finjo que sou dessas mulheres modernas que tem romances com prazo de validade, por isso, não sentem as ausências e as constantes despedidas. Mas confesso que finjo muito mal. Nasci na época errada e minha transparência faz questão de invadir todos os lugares que estou e me surpreender com um tapa estalado.

Eu canso da solidão, mas sinto repulsa só de pensar em ceder o lugar vazio para mais uma dessas pessoas não dão a mínima para o amor. Eu quero café da manhã na cama, casar na igreja, fidelidade, sexo matinal, luz apagada, naturalidade, confiança. E eu quero você. Meio torto, despreocupado e distraído. Você acaba com todos os meus planos e me deixa insegura com tanta desordem. Você não se importa com datas, não chega na hora certa e sequer me garante exclusividade. Desaparece, me deixa louca e faz com que eu me convença de que não há mais nada entre nós. Mas surge no dia seguinte, com mil cartas na manga, me fazendo esquecer todas as promessas que me fiz na noite passada. E é com esse jeito meio torto, meio canalha, meio perigoso que eu me pego apaixonada pelos seus defeitos. Louca por tudo que eu tenho vontade de criticar e fazer as malas para abandonar sua casa e sua vida.

Não me contento com o pouco que você me oferece e tenho vontade de jogar tudo para o alto quando paro pra pensar nas chances mínimas de darmos um nome para às nossas mãos dadas e corações aflitos. Enquanto eu quero me entregar sem freios e me apaixonar sem medidas. E eu choro e sofro e grito e repudio quem tenta me aconselhar. Por que no final do dia, eu sempre acabo da mesma forma.. Em silêncio, deitada na sua cama, examinando cada detalhe do seu rosto com as mãos. O mundo poderia acabar à qualquer momento que eu sequer sentiria dor.

sábado, 5 de junho de 2010



Eu passo por ele, ele passa por mim e sequer precisamos dizer alguma coisa. Parece que todo o meu corpo congela e apenas o meu coração continua brigando para não parar também. Cada vez mais rápido, cada vez mais alto. Os segundos parecem uma eternidade e consigo, facilmente, ignorar todo o resto ao nosso redor. Percebo que a intensidade que deposito em nós é tão grande, que até esqueço de respirar quando me aproximo de você. Esqueço de respirar, de resistir.

Eu não faço ideia de como chamar a mistura de sentimentos que ele causa dentro de mim. E me pego jogando todos os livros de autoajuda e suas teorias no lixo, e me encho de notas mentais para não abrir mão de todo o meu lado racional. Não é só amor. É tesão, pele, carinho, liberdade, carência, celulares desligados, vidas deixadas de lado. Ele me liberta de algemas que levei a vida inteira colocando. E torna o mundo tão simples, que eu acabo precisando de um manual para deixar de ser tão complicada. Ele se aproxima rapidamente. Me pega no colo e eu perco toda a forma e o juízo. Deixo ele me moldar o quanto quiser, para caber exatamente no seu colo e na sua vida. Perco as rédeas, o equilíbrio, o controle e o interesse por todos os corpos que não sejam o dele. E depois do êxtase, ele me liga no dia seguinte só pra dizer que me adora, afastando qualquer culpa ou arrependimento.

Será que alguém pode contar pra ele que isso vicia? Mal começou e já me pego segurando na barra da sua calça feito uma criança perdida, transbordando de esperança. Já me encho de ilusões e crio planos que nunca vão dar certo, mas e daí? Antes de beijar aquele desconhecido, minha vida sequer tinha um sentido. Não é só amor. É apego, saudade, ciúme. O resto parece desinteressante e sem cor. Talvez eu tenha quebrado as regras e perdido todo o meu juízo quando resolvi me entregar de corpo e alma para um desconhecido charmoso, mas o amanhã não me importa. As mãos dadas, os toques, as declarações no meio da noite e os pequenos detalhes fazem com que todos os riscos valham a pena. Não é só amor. É mais do que isso.

sábado, 29 de maio de 2010



Sou dramática, intensa e transitória (Como já dizia Clarice Lispector). Venho sem manual e previsão. Não entendo de política, futebol e carros, mas falo sobre vida, amor e futuro, como um dicionário. Sou confiante, confiada e confusa. Se me der sua mão, eu te dou o mundo. Não tenha medo da minha transparência e falta de escrúpulos. Tema minha sinceridade, meus bons modos e meu lado detalhista. Seja paciente com a minha impaciência, com a minha falta de experiência.

Desconfie do meu silêncio e da minha empolgação. Não sei lidar com o meio termo, por isso, tudo me afeta mais. Faço tempestade em copos d'água e do amor para a inferença, é um pulo. Quando sou, sou por inteira. Cheia de ideias fixas, planos loucos e nenhuma coragem. Não me deixa sumir, nem te tirar do pensamento por alguns segundos. Eu preciso de apenas alguns instantes para ouvir meu lado racional e correr de fortes emoções. Não se assuste com o meu desapego ou apego em excesso, não sei amar pela metade e me envolver usando freios.

Me ame, me mime, me maltrate. No final do dia, eu só quero ter pra quem ligar. Não me magoe, sequer tente me acorrentar. Não se assuste com minhas mudanças de humor e de sentimentos. Aprecie meu excesso de principios. Saiba reconhecer não só minhas qualidades, mas os meus defeitos também. Não se surpreenda com meus vícios saudáveis e minhas inseguranças sem sentido. Não procure entender minha linha de raciocínio. Eu penso, observo e mudo de opinião em questão de segundos. Sem restos ou dores, sempre corto o mal pela raíz. Não acredito em amizade depois do namoro. Não acredito em amor que tenha fim. Valorizo todas as qualidades que não possuo. Quero sua coragem, seu sangue, seu gozo. Não espere piedade, hipocrisia ou segunda chance. Sou uma só, habitada por várias.

domingo, 23 de maio de 2010




Eu gostava dele de uma maneira irracional, como se eu não tivesse nada melhor pra fazer e aí, resolvi descobrir todos os mistérios que ele insistia em esconder no meio de tanta seriedade. Eu não sabia sua cor preferida nem seus defeitos. Não sabia o que ele pensava sobre o amor e a vida. Eu não sabia nada. Mas eu podia passar o resto dos meus dias, olhando para aqueles olhos castanhos, sentindo o cheiro que ele deixava marcado na minha pele e na minha vida.

Confesso que ele não tinha nada de muito fantástico e eu mal sabia sobre a sua vida. Me limitei e me conformei com o pouco que ele me oferecia. Era um cara de vinte e poucos anos, cheios de sonhos e muita força de vontade. E por baixo de toda aquela armadura que ele insistia em vestir, existia o cara dos meus sonhos. Ele sabia exatamente como me manter, cada vez mais, apaixonada e dependente. Ocupava tanto os meus pensamentos que sequer tive tempo de recuar e usar meu lado racional. Ele despertou o meu melhor lado, o sonhador.

Ele me fez o melhor carinho do mundo, com as mãos e as palavras. E quando eu achava que não era possível ser mais feliz, ele me surpreendia novamente. Pra que usar o lado racional, se o destino cuidava se tudo para mim? Contei para ele todos os meus segredos e sonhos mais bobos. Eu quero casar na igreja, ter dois filhos, viajar para Paris, ser feliz para sempre e... e ele foi embora.

Ambos sabíamos que nunca daria certo, mas o que ele tinha de força de vontade, eu tinha de persistencia. Acreditei, até o último segundo, que ele seria meu e confesso que pensei inúmeras vezes em jogar tudo pro alto, só para seguir seus passos. Eu quis abrir mão da minha felicidade e me sabotei, todas as vezes, que insisti que só ele me bastava. Ele, um completo desconhecido, que não sabia nada de mim e nem eu, dele. E eu o amei mais do que a mim mesma. Sem freios, medidas ou razão. E ele foi embora. Sem explicações, porquês ou afins.. Só levando o meu coração.

terça-feira, 18 de maio de 2010



Não suporto nem procuro perfeição. Tampouco gasto meu tempo enumerando os defeitos alheios para que meu coração mantenha uma distância saudável de quem, provavelmente, um dia, vai me machucar. Eu arrisco, chuto o balde e só invisto involutariamente (ou não) se a pessoa me fizer perder o controle e os sentidos sem, ao menos, se esforçar. E eu gosto de cada vez que ele me coloca no colo, me desorienta e faz com que minha cabeça pare de funcionar por alguns instantes. Gosto quando ele se declara com o olhar, fazendo com que minhas bochechas expressem o quanto é recíproco, corando rapidamente. Gosto quando ele me pega, me dobra, me amassa. Sem pensar no amanhã, sem pensar no mundo que espera por nós fora do sofá da sala.

Eu acredito cegamente na eternidade de cada olhar, gesto e sentimento. E deve ser por isso que não consigo encontrar alguém para ser feliz sem prazo de validade. Eu procuro intensidade e coragem na mesma pessoa. Procuro alguém que me ame sem limites e sem qualquer receio. Que me ache a mulher mais incrível de todas, mesmo estando de pijama e acabando de acordar. Que tenha olhos para outras mulheres, como qualquer pessoa de carne e osso, mas que isso não saia da imaginação. Que me deseje não só de corpo, mas de alma, em momentos e lugares inusitados, e faça questão de me dizer. Que sinta a minha falta, meu coração batendo acelerado e meus pés frios em baixo do cobertor.

Não desista de mim. Me pega no colo e diz que eu sou sua. Lute por mim, por você e pelo nosso sentimento, que nem se transformou em amor ainda. Sem pressa, sem pressão. Eu te quero por inteiro e não te cobro mais do que tempo. Em troca, te ofereço calor, amor e abrigo dentro do meu coração. Vem? Não precisa ter medo. Eu sou inofensiva e se você quiser, assim como quem não quer nada, serei inesquecível também.

domingo, 16 de maio de 2010



Entenda que sou e sempre serei de poucos amigos e muitos amores. Não, eu não me apaixono por qualquer declaração bem feita, tampouco por promessas fáceis. Eu só me apaixono pelo cara que não liga no dia seguinte, não se dá ao trabalho de me encher de promessas, e que não diz nada realmente fantástico, e mesmo assim, me encanta. Não me importo se você tem o carro da moda e braços malhados, sequer penso no que você pode me oferecer enquanto estiver do seu lado. E concluo, rapidamente, que se eu demorasse mais um pouquinho para nascer, além de romântica sonhadora, seria adepta a filosofia: Vou largar tudo e viver de amor.

Não sou para todos. Tenho um mundinho quieto e pouco habitado dentro de mim. Guardo detalhes, esqueço rancores. E se hoje ou amanhã, ele ou ela não valerem a pena, transformo tudo em indiferença. Mas se eu gostar de você, aproveita. Sou humilde o suficiente para reconhecer minhas qualidades. Gosto de compartilhar sonhos, medos, experiências e amores. Quero ter por perto, apenas pessoas que me conheçam por inteira e saibam lidar com toda a minha transparência. Não gosto que me toquem, é para poucos. Mas se eu permiti que você tocasse meu rosto e meu cabelo, com certeza, é porque você conseguiu tocar o meu coração antes. Aí você me toca, me toca muito, e espera mais uns minutos, até conseguir me convencer que já dependo de você.

Dificilmente você vai me ver fazendo drama. Sou sincera ao extremo, por isso, quando não gosto, não me dou ao trabalho de fazer charme. Sou frequentemente melancólica, porque me envolvo facilmente com pessoas, fatos e livros. Fantasio o ciúme com meu melhor sarcasmo, evitando brigas desnecessárias. Não suporto que tentem mandar em mim. Faço questão de que você respeite o meu espaço, mas sendo recíproco ou não, respeitarei o seu. Valorizo a educação, acima de tudo. Então, não espere mais do que sorrisos, agradecimentos e frases bem pensadas, quando me apresentar para sua família. Nada de palavrões ou assuntos constrangedores. Sou observadora. Gosto de descobrir detalhes seus que você sequer conhece. Não me confunda com essas meninas louca por calorias e dietas. Ao meu lado, você sempre terá uma companheira de vida e de garfo. Se eu for só sua e fizer questão de te dizer isso, pode me sufocar. Me encha de beijos, abraços e palavras. Mas se eu não for, mantenha a distância e respeite minha falta de paciência. Acredito em horóscopo, vida após a morte e homem fiel. Não tente mudar meus princípios, não me subestime e não seja repetitivo. Muita coisa me tira do sério e uma delas, pode ser você.

sábado, 8 de maio de 2010



Há certos momentos na vida que é preciso mais do que simples tristezas cotidianas para nos fazer abrir os olhos. Levamos uma mala de impulsos, desilusões e sonhos perdidos nas costas, esperando nada além do que uma mão amiga e um coração vazio para terminar com todo o eco que temos dentro do peito. Sem esquecer de que a vida não passa de um eterno retorno. Como se tivéssemos o dia pra ser feliz, mas quando o ponteiro marca meia noite, voltamos a ser tristes e solitários. Precisando sempre de novos motivos para abrir os olhos na manhã seguinte.

Enquanto perco meu tempo procurando a beleza na simplicidade, sempre chega alguém e leva o que não é meu, mas me pertence. E eu fico pensando se realmente vale a pena acreditar que ele vai perceber o quanto gosto dele, só por reparar em como eu não consigo parar de sorrir quando estou do seu lado. Fico me sentindo, cada vez mais, boba e sequer me arrependo. No final das contas, só vejo que não tenho nenhuma teoria formada sobre o amor. Logo sobre ele. Eu sempre me pego jurando de pés juntos que meu próximo romance vai ser diferente. É claro, eu vou me comportar, não vou correr atrás e vou fingir que já acordo linda e penteada, só pra ele não pensar que me preocupo (muito) se ele gosta ou não de mim. E vem cá, alguém consegue ser fiel a si mesmo 24h por dia?

Eu adoro amar alguém. Adoro dar um nome pro meu coração e justificar meu bom humor, mesmo que eu não tenha garantia de futuro. A partir do momento que alguém diz que gosta de mim, eu paro de andar cambaleando, arrumo minha postura e cuido mais de mim. Não me canso nem me descabelo. Eu vou mais vezes para a academia, estudo melhor, trabalho melhor. É algo totalmente involuntário, como se eu sempre fosse assim, mas nunca tivesse reparado. E ninguém entende nada.

Eu não me apaixono por cada par de olhos verdes que me intimidam, muito menos por braços musculosos que insistem em querer me envolver. Eu me apaixono pelo seu jeito desajeitado, pela sua mania de me encher de chocolates e beijos, por cada telefone bobo de boa noite ou até mesmo, por cada brincadeira sem sentido que insistimos em fazer. E você vem.. chega como um furacão, me enche de felicidade, me pede pra não sumir, me pede carinho, me pede pra te amar. E começa tudo de novo. Eu não fujo, não nego, não saboto. Pelo contrário, me entrego de corpo e alma. Deixo escorrer, vazar, transbordar. Deixo meu eterno retorno entrar pela porta da frente e estou sempre tentando convence-lo a ficar um pouco mais do que 24h.

quarta-feira, 5 de maio de 2010



Eu saberia ser a garota dos seus sonhos se eu não tivesse um cabelo de fases, aparelho nos dentes e humor instável. Se não tivesse mania de andar de meias dentro de casa e estivesse presente em todos os momentos que a saudade apertasse. Se soubesse me comportar como uma verdadeira lady, enquanto sento desajeitada de vestido e meus pés fazem questão de doer quando uso salto alto por mais de cinco minutos. Se eu não fizesse questão de resolver todos os meus problemas sozinha, sempre escondendo o quanto sou dependente de você.

Eu gosto de calorias, pijamas, sábados tranquilos, jeans, bobagens ditas no pé da orelha e andar sem rumo. Como lidar com uma garota tão fora do padrão? E você vai confiante. Procura a mulher mais velha que gosta de salada, vestido e vida agitada. A mulher que nunca usou aparelho nos dentes e sequer se lembra a emoção de ouvir bobagens. Aquela que diz que passou dessa fase de amar loucamente e só pensa no futuro. A mulher que não lembra a última vez que usou um pijama grande e aconchegante. Está sempre presa em um daqueles pijamas de gente grande, que não deixa ninguém confortável, mas estar bem arrumada até mesmo na hora de dormir com um cara que quer despir sua alma e logo depois arrumar seus cabelos com os dedos, é necessário. E você observa que ela nunca esquece de tirar a maquiagem e sequer sabe dormir pronta para ser bagunçada por mãos, bocas e desejos.

Não, é claro, ela tem mil e uma qualidades, e sabe despertar o seu melhor, por isso, você ignora todo o resto, na esperança do tempo consertar o que você não compreende, muito menos aceita, para que seu coração não te traia mais. Ela sempre vai ser a mulher da sua vida. E eu? Eu vou ser apenas uma menina boba, sem nenhuma liberdade, mochila nas costas e all star nos pés. Vou ser um daqueles carmas agoniantes, que passe o tempo que for, vai te provocar uma mistura de sensações e lembranças em cada reencontro. Uma eterna ferida que você nunca tira a casquinha, com medo de doer novamente.

Eu não saberia ser ela nem por alguns minutos, mesmo que fosse apenas para te agradar. E eu vejo o medo nos seus olhos. Ela nunca vai se preocupar em dizer que te ama no meio da noite, e nem vai saber o quanto você é cheiroso e irresistível, porque a rotina trata de apagar os detalhes. Mas e aí? Você simplesmente se afasta da menina desajeitada, que não entende nada de economia e da vida, na esperança de tudo ser passageiro. Até mesmo a saudade.

sábado, 1 de maio de 2010




Eu troco os pés pelas mãos e tento me comportar o tempo todo, torcendo pra que enquanto você cisma em olhar nos meus olhos, me surpreenda dizendo: "Vamos lá, Thais, tira esse salto e essa maquiagem. Descruza essas pernas e deita aqui no chão da cozinha comigo.". E você diz. Antes mesmo de dar tempo de rir de mim, por esperar você dizer esse tipo de coisa, e de dar tempo das minhas bochechas corarem e entregarem meus sentimentos.

Morro para que você reconheça minhas qualidades rapidamente. Sinto vontade de fazer um curriculum para que você saiba cada detalhe e ponto fraco, antes que meus defeitos entrem de penetra e te assustem, estragando tudo. E aí, vem você, com esse jeitinho de menino carente, fazendo questão de passar a mão no meu cabelo, me desarmando em um piscar de olhos. E me surpreende novamente! Dizendo que sequer percebeu meus defeitos, fazendo questão de exaltar cada qualidade minha. Me transformando na melhor mulher que você já conheceu.

Agora eu ando com figa e pimenta no cordão, faço simpatias e olho várias vezes antes de atravessar a rua. E o medo desse sonho todo acabar antes do meu feliz pra sempre? Sinceramente, eu queria te guardar em um potinho. Não me ache maluca nem psicopata, por favor. Poucas vezes na vida, fui tão bem tratada então, perdoe a minha falta de experiência. Eu só quero te guardar para que ninguém mais te conheça e se encante como eu me encantei. Ainda quero testar se seu charme consegue despir minha alma e tirar toda a minha imunidade, me deixando fraca e dependente.

Não estraga, por favor. Seja bom menino que no final, além do biscoito, te entrego minha vida e o meu amor. Te deixo conhecer meus medos, minhas dores e até mesmo, meu lado mulherzinha carente. Te apresento a fidelidade, a confiança e a loucura. Faço com que você seja o melhor homem do mundo e desperto sensações, gostos e desejos que você jamais descobriu. Mas não deixe que a rotina acomode. Não se contente com apenas o essencial que te ofereço inicialmente. Me reconheça no escuro, abuse dos pronomes possessivos, faça questão da minha presença. Me enlouqueça, me faça cair de amores, me faz querer ser sua. Me surpreenda.

sábado, 24 de abril de 2010



Como é que sabemos quando um amor vira obsessão? Minha cabeça dá um nó e eu já não consigo mais pensar em nenhuma teoria para explicar como meu caso deve ser mais sério do que parece para as pessoas. E eu tenho medo. Medo do amor e da dor serem eternas. Medo de tudo isso me consumir tanto, mas tanto, que para eu conseguir abrir os olhos todos os dias, seja necessário me envolver com gente sem alma e nenhuma estrutura para me ter além de alguns instantes. E olha que curioso. Enquanto todos tem medo da morte, eu não tenho. Eu tenho medo do amor. Medo do sentimento que matou os poetas e mesmo assim, foi considerado nobre e puro.

Vejo que é exatamente como uma frase que li por aí. Eu me fantasio de puta, só pra você não ter medo de todas as coisas lindas que eu não canso de guardar pra você. Torcendo pra amanhã te dar uma vontade danada de jogar tudo pro alto e me procurar. E não precisa dizer nada não. Eu leio os seus olhos e tomo sua boca como consequência. Não tente se explicar, sequer tente dizer algo. Deixa eu fingir surpresa e nenhuma saudade. Mas se isso durar mais do que alguns segundos, me abrace o mais forte que puder. Você sabe como me desarmar até a alma e me encher de medos antigos. Medos que sequer lembro que tenho, quando você está perto de mim.

A água do chuveiro queima a minha pele e eu volto para a minha vida nada americana e tumultuada por pessoas desinteressantes. Hoje doeu mais do que ontem, mais do que mês passado. E aí, eu vejo que de nada adianta ficar corroendo todos os órgãos do meu corpo com qualquer ácido barato, se a pergunta certa não é até quando dura um amor. Então eu me pergunto: Até quando dura uma dor? Com a esperança de encontrar qualquer teoria boba e sem nexo, só para me servir de apoio, para que eu, finalmente, consiga mudar o disco e a minha vida.

domingo, 18 de abril de 2010




Esteja certo de que sei ser amável e educada. Cruzo minhas pernas em câmera lenta, como se estivesse em algum filme banal e americano, em que a mocinha esbanja sensualidade sem perceber, e mantenho um sorriso impecável, digno de te prender por quanto tempo eu achar necessário. Treino caras, bocas e toques no espelho, como se fosse alguma espécie de fórmula para te cativar. Gasto horas escolhendo o vestido mais bonito, que não pareça tão especial assim, para que você não perceba. E eu tenho tudo para te impressionar e fazer com que você me ache a mulher mais sensível, controlada e perfeita do mundo. Dessas que cabem direitinho na sua vida e você sequer vai conseguir encontrar um defeito para reclamar entre um chopp e outro com seus amigos. Definitivamente, eu sei ser incrível. Mas o que é que vem depois?

Não me confunda com essas meninas bobas que tem medo de viver, muito menos, com essas que conseguem tirar a roupa no primeiro encontro. Saiba que não suporto meio-termo, intensidade é obrigatório. O morno me cansa, me consome inteira por dentro. Aceite meu lado mulherzinha que chora com a novela das 20h, mas ri alto com filmes de terror. Respeite o meu silêncio, que é mais produtivo que meu estado de euforia. Tente entender que vivo em um eterno carnaval de emoções inexplicáveis. Entenda que minha lealdade e fidelidade não significam que estou em suas mãos! É apenas um princípio que não descarto por ainda acreditar no ser humano. Não duvide das minhas promessas, dos meus sonhos infantis e do meu amor. Confie na minha transparência. Sou eternamente explícita. Se não gosto, não faço charme. Doa a quem doer, minha sinceridade e bem-estar são colocados em primeiro lugar, não nego.

Seja você mesmo. Me mostra que o céu pode ser azul quando temos o lápis de cor certo. Deixa eu te ver acordando e me faça assumir que te acho lindo de todas as formas. Me conta seus segredos, esconda seus pontos fracos. Deixa eu te observar em silêncio e analisar todas as suas expressões. Eu posso descobrir sua vida, seus medos. Me encha de elogios sem importância. Desses que você diz para todas as outras, mas eu me engano, e me sinto única. Me conquiste todos os dias. Me apresente mãos, bocas e sensações até então desconhecidas. Faça com que eu não tenha olhos pra mais ninguém. Supra todas as minhas necessidades, fazendo com que eu me torne dependente de você . Suma no dia seguinte e me deixe louca. Domine meus pensamentos e minhas pernas. Entre na minha vida sem pedir licença. Desorganize meus sentimentos, assuma meus medos e dê um motivo para que eu acorde sorrindo todos os dias. Cuide do meu coração e da minha vida vazia. Seja meu, porque eu já sou sua.

quarta-feira, 7 de abril de 2010



Depois de tanto perturbar o juízo dos meus amigos, com meus problemas inventados ou descobertos, decidi que é melhor guardar só pra mim, toda a tristeza inconstante e aleatória que vive me perseguindo. Mesmo morrendo de medo de que isso possa se tornar uma depressão ou uma rotina entediante, sigo em frente. Não luto contra nenhuma dor que tente me atingir. Gosto de me contorcer na cama, enquanto choro sem, ao menos, saber o motivo. Não, eu não sou masoquista. Eu não gosto de sofrer e por incrível que pareça, valorizo muito mais os dias felizes (e raros) que tenho.

Penso em terapia, horóscopo, espiritismo, magia negra ou qualquer outra bobagem que possa se transformar em alguma teoria sem sentido, só pra que eu consiga viver melhor e ter na ponta da língua, explicações para as pessoas. Mas aí, paro e penso: Porque eu tenho que me explicar para alguém? Sim, dói. E eu choro e grito e bato o pé. Não me arrependo de agir como uma criança mimada em momento algum. E é isso me assusta. Enquanto todo o resto consegue fingir ser feliz em 365 dias do ano, eu admito, sem pensar duas vezes, que sou infeliz em, pelo menos, metade deles. Não, que não quero chamar atenção, muito menos, quero um monte de gente se preocupando comigo e querendo saber o tempo todo se estou me cuidando. Eu só quero ficar sozinha.

Com o passar do tempo, sem querer, descubro que a solidão é minha grande companheira. Eu gosto do silêncio e da ausência, simplesmente, porque sei me virar melhor assim. Levanto, tropeço nos meus próprios pés, mas logo depois, percebo que sei todos os passos da dança. E eu nem precisei ensaiar. Sem pensar muito, concluo que isso deve ser instinto de sobrevivência e não consigo achar a parte ruim de ser fechada e sozinha. Afinal, quem não acordou, uma vez na vida, dividido em que personalidade assumir, que atire a primeira pedra! Mas junto dela, me mandem a receita da felicidade.

segunda-feira, 5 de abril de 2010



Depois de horas analisando minha vida e meus sentimentos, percebi que cansei de ser segunda opção. Passei quase toda a minha vida, vivendo de migalhas, fazendo delas o meu banquete, mas sequer consegui admitir isso pra mim. As pessoas surgem na minha vida de maneira aleatória e mesmo assim, minha desconfianca e coração colado com qualquer cola vagabunda, não deixam com que eu controle nem metade dos meus impulsos. E aí me pego em uma dúvida cruel: Mudar é necessário para viver melhor? E o que fazer com meus princípios bobos? O que fazer se não sei ser de várias pessoas ao mesmo tempo?

E aí acredito que tem coisas que realmente não mudam. E eu não quero mudar e me adaptar a coisas que me incomodam só por medo de sofrer. Mesmo depois de perceber que fui, inúmeras vezes, nada além de uma pessoa substituta, sequei as lágrimas e rapidamente espantei toda essa depressão chata, que cisma em surgir e perturbar meus dias, todas as vezes, que me deixam sozinha. E me faço acreditar cegamente de que tudo não passa da minha personalidade leonina, que insiste em viver rodeada por gente. Mesmo que essa gente não me me ame com a mesma intensidade, nem saiba reconhecer quando um coração bate mais forte.

Sei que é meio bobo, mas não consigo não me preocupar com o dia de amanhã. Como é que eu posso esperar como-quem-não-quer-nada o grande amor da minha vida aparecer se, ao menos, encontro alguém pra andar de mãos dadas comigo? E eu já passei dessa fase de acreditar que quando menos esperarmos, aparece alguém pra bagunçar nossa vida. Mas porque diabos ninguém comenta sobre os alguéns que aparecem, bagunçam nossa vida e depois vão embora sem sequer se despedir? Sempre assim. Filho feio não tem pai. Decepções amorosas funcionam da mesma maneira.

terça-feira, 9 de março de 2010




Gosto de abraços chamados de proteção, de mãos pequenas e ágeis (honrando o posto da parte mais fantástica do corpo humano), de sorrisos que não escondem personalidade (Valendo a pena ou não, ninguém deve se esconder atrás de máscaras), de olhares espertos e maliciosos (Dignos de mistério e curiosidade), de lealdade (Muito mais necessária do que a própria fidelidade), de homens altos (Responsáveis por fazerem com que todas as mulheres pequenas e medianas se sintam com 12 anos, envolvidas por um adulto que vai protegê-las de qualquer mal), de simplicidade (Jantar a luz de velas é coisa de filme americano. Troco facilmente por um hambúrguer sentada no meio fio), de gente sonhadora (Tenho medo de quem voa alto demais, mas acho digno tirar os pés do chão de vez em quando), de presente surpresa (Um bombom marca mais do que uma jóia cara), de compromisso (Não vejo prova de amor mais bonita), de mensagem inesperada (Precisa explicar? Compare o brilho dos seus olhos antes e depois de receber uma), de liberdade (Nelson Rodrigues já disse tudo quando falou que achava liberdade mais importante do que o pão), de inteligência (Afinal, o amor sozinho não tem valor algum, se não houver diálogo), de companheirismo e presença (Saiba a hora certa de largar seus amigos e de me misturar com eles), de pessoas que encantam (Dessas que você sequer ter um motivo pra gostar, mas se apega de graça), do escuro (porque alí sim, somos 100% nós mesmos. Sem medo, sem paranóia), de segredos (Daqueles que nos contam e deixam claro que ninguém mais sabe além de você), do dia seguinte (Dono de um poder indescritível), de sms de manhã, de tarde, de noite e de madrugada (Não tem emoção que se compare à uma mensagem inesperada), da adrenalina de beijos escondidos, da emoção do primeiro Eu te amo dito.

Não gosto de perfeição (Enjoa, desgasta), de duas vidas se transformando em uma (Um relacionamento não prega o isolamento da vida social de ninguém), de falta de confiança (Afinal, é a base de tudo. Acho mais importante que o amor), de economia de carinho (Quando estamos com quem mereça, com alguém que valha a pena e seja recíproco), de gente séria demais (Gera desconforto nas pessoas ao seu redor. Ninguém nunca sabe o que ele pensa ou sente), de homem que esconde o que está sentindo de verdade em baixo de mistérios trancados a sete chaves, de intimidade forçada (Ou você se sente totalmente à vontade com alguém ou esquece todo o resto), da perda do romantismo (O tempo tem o trabalho apenas de fortalecer, não de destruir uma parte tão importante), de crises escandalosas de ciúme (Uma conversa civilizada e o mínimo de confiança, vai bem, obrigada!), de sexo como prova de amor (Como um prazer pode virar obrigação em um relacionamento?), do amor de gente efusiva (O pra sempre deles só dura até o dia seguinte), de rotina que acomoda, de beijo sem vontade (Depois de uma briga ou em um término próximo). Não gosto e não faço nada que me incomode só para agradar o outro (minha personalidade não permite), de pequenas mentiras que são omitidas sem necessidade (Antes do amor, vem a amizade e a lealdade), de falta de respeito (Uma vez perdido, nunca mais é recuperado), de gente que cede demais aos caprichos alheios só para evitar briga (Pra mim, isso é chamado de covardia), de falta de coragem (Qualquer relacionamento precisa dela para dar os passos de todas as “primeiras vezes”). Não gosto de ter limite e por isso, insistir em tentar amar alguém com limite de caracteres. Não cabe num texto, não cabe numa vida e sequer cabe num coração.

domingo, 28 de fevereiro de 2010




Eu confesso...

Com o tempo, aprendi a ser uma nova pessoa. Perdi toda a inocência linda de que eu tanto me gabava por aí. Adotei um olhar malicioso, contornado de preto, com o intuito de afastar todo o mal que me desejassem. Evitei todos os amores descartáveis que podiam ser encontrados em qualquer brisa que passasse na minha vida. Desejei quem não podia. Provoquei, provei e fui embora antes do dia amanhecer, sem ousar pra trás. Me apeguei a quem estava indo embora e cheguei a pensar em fazer as malas. Quis chorar até soluçar, e chorei. Quis ser fraca e falar do tamanho do medo que eu tenho da vida, mas me calei. Quis me apegar em qualquer carinho mais demorado e machuquei o outro com meus espinhos. Quis correr atrás de todos os meus sonhos, mas eles fugiram de mim, porque eu me comportei como uma menina mimada e perdi o caminho de volta pra casa. Quis até um desses romances incríveis que lotam álbuns de orkut e fechei os olhos pra realidade.

Quis que o Hoje durasse pra sempre, mas ele mal existiu. Quis bater de frente e colocar a cara a tapa, e deixei pro Amanhã que nunca chegou. Quis me matar e não me faltaram forças. Quis resistir a todo suposto sentimento de raiva que teimava em crescer e consegui transforma-lo em indiferença. Quis apenas viver bem e consegui ser feliz como nunca havia sido antes. Quis ser o errado, mas dei certo. Quis ir embora pra sempre e voltei no mesmo dia.

Tratei minhas dores como imortais e esqueci que o resto do mundo tem problemas muito maiores que os meus. Fui fiel e sincera com pessoas que sequer mereciam o meu desprezo, e não me arrependi em momento algum. Iludi pessoas sem perceber, por isso, perdi companhias incríveis. Fui hipócrita por diversas vezes, escondendo em um sorriso amarelo, todas as lágrimas revoltadas. Ajudei quem sequer se importou com meus sentimentos e não vejo peso maior do que esse para levarei pelo resto da vida. Já desconfiei das pessoas que mais amo na vida e me envergonhei no segundo seguinte. Me iludi com um beijo e me desapeguei por um palavra dita em um momento errado. Já quis ser feliz pra sempre e só depois de anos de tentativa, descobri que isso é um exercício diário, que com o tempo, nos leva a perfeição.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010



Por dar o meu melhor em casa pseudo-relacionamento, não canso de procurar alguém que faça o mesmo por mim. Mas no final das contas, percebo que comprei o tamanho errado ou emagreci e aquele já não é mais meu número há anos. E não canso de ser essa menina boba que não sabe escolher e acaba comprando só quem vem com aquelas letrinhas minúsculas dizendo: “Cuidado. O uso excessivo pode causar dependência”. E não deixa de ser verdade. Mas na hora de sair, apresentar pros amigos e até mesmo pra família, a novidade que você não enjoa nunca de elogiar e contar vantagem por aí, você descobre um defeito. Descobre um furo, uma linha querendo descosturar e o pior, descobre que cedeu demais, e já não te serve como antes.

O que fazer quando as coisas saem do controle? Não é tão simples sair e encontrar algo que te sirva tão bem assim. Tem que esperar o coração virar e a coleção nova chegar, na eterna esperança da novidade sem validade. Não quero ter que usar moletons, muito menos, viver com roupas antigas só pra passar o tempo, tendo sempre medo de me acomodar com a situação. Não quero me apegar a roupas passageiras, sem cara de futuro. Em compensação, detesto a sensação de perda. Quando nossos objetos ou pessoas preferidas se perdem por aí, é como se tivéssemos o próprio buraco da camada de ozônio dentro do peito.

Todos nós temos uma roupa preferida. Dessas por mais que não caiba ou não venha mais ao caso usar, guardamos com um carinho especial. Não damos, não emprestamos, muito menos, dividimos. São roupas, donas de um caimento especial e com o eterno cheiro de recém compradas. Mesmo depois de tantas lavagens, mesmo ficando poída entre as pernas, não deixa de ser a preferida.

http://www.youtube.com/watch?v=lpcritmrQVQ (Só avançar pro 4:20. Parte digna!)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010



Acho digno ser dessas mulheres que carregam consigo o Manual de mulheres bem-resolvidas. Invejo cada sorriso transbordando segurança, cada passo confiante que dão por aí, como se estivessem em uma propaganda de absorvente, sabe? São essas mulheres que prendem a minha atenção. Afinal, por ser uma pessoa extremamente curiosa, passou ser uma questão de honra, ter uma teoria que explique esses seres tão raros e invejáveis.

Vai dizer que nunca reparou? Estou certa de que é mentira! Com a veocidade que os homens analisam, as mulheres comentam. Elas podem não ser as mais bonitas, podem não estar vestindo os melhores vestidos da festa, mas chamam mais atenção que todas as outras. E aí? Aí que acaba virando um caso que só a ciência pode explicar.

Admiro, com todas as células do meu corpo, as mulheres que aprenderam a viver sozinhas. Não porque o destino quis ou porque o último relacionamento foi um fracasso, mas porque, elas sim, sabem viver de verdade, da maneira certa. Insistimos, damos atenção para uma carência criada apenas em nossa imaginação. Me diz: Pra que? Só pra viver num eterno masoquismo amoroso, procurando conforto e segurança em qualquer abraço disponível.

Acho angustiante a maneira de como, o passar dos anos, nos deixa mais sensíveis, mais emotivas. Quem não gosta de colo? De mãos dadas em uma noite chuvosa? De um beijo de esquimó totalmente (des)necessário? Quem disser que não gosta é porque ainda não descobriu os mistérios da conquista e ainda não aprendeu que, no final das contas, somos todas um bando de bobas choronas que nunca desiste de encontrar um amor pra vida toda. E o mais importante: Deixamos sempre que isso fique estampado em nossos olhos carentes de cachorro sem dono.

E talvez, a nossa transparência deva ser o nosso ponto fraco. E é aí que as mulheres dos manuais ganham a vez. Elas chegam sozinhas, mas agem como se estivessem sendo seguidas com multidões calorosas que são encarregadas de massagear sua confiança e segurança. E por incrível que pareça, não é só fachada. Elas esbanjam uma mistura de sei-lá-o-que digna de aplausos. Será que, no final das contas, esse é o segredo? Exercitar a autoconfiança para nos transformarmos uma espécie de imã que só atrai tudo de positivo? Torço absurdos para que na prática, a teoria caia como uma luva e venha com manual de instruções, por favor!