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domingo, 19 de setembro de 2010



Sem essa que desamor não dói e apenas a indiferença machuca de verdade. Ainda não encontrei nada pior do que a espera. A espera por um telefonema do cara incrível da noite passada, do resultado do exame de gravidez, da lista de aprovados do vestibular, de um pedido de casamento, de encontrar um rumo, uma carreira, uma vida que te faça feliz. Sempre fui a Senhora Impaciência. Passei a vida inteira sendo a favor de soluções drásticas e de problemas resolvidos na hora, sem essa história de empurrar com a barriga e deixar pro dia seguinte. Não gosto de fazer os outros esperarem minhas decisões, muito menos meus atos. Sempre estou arrumada antes do tempo previsto, chego nos encontros na hora certa e não suporto esperar por ninguém. Se administro meu tempo, porque as pessoas não podem fazer o mesmo?

Não acredito que exista hora certa para se apaixonar, momento certo para engravidar, lugar certo para conhecer a pessoa da sua vida. Sou impaciente demais pra deixar tudo nas mãos do destino. Eu quero e quero agora. Chamem do que quiser, inventem mil nomes e defeitos pra minha maneira de levar a vida. Eu não me importo. Ainda acredito que é melhor estar ligado a mil por hora do que andando a vinte e sendo infeliz. Odeio depender dos outros para ser feliz, mas dificilmente consigo viver sozinha. Não gosto de estar com gente que não sabe o que quer da vida e principalmente, do coração. Eu posso te amar pra sempre se você souber lidar com o que tem nas mãos. Fui criada e educada para a eternidade. Só me entrego pra quem tenho certeza de que amo, só aposto minhas fichas no que realmente acredito.

Não entendo como alguém tem dúvidas se está apaixonado ou não, castigando o outro com a distância e a saudade. É claro, existe saudade boa, saudade gostosa.. dessas de um dia pro outro. Do Eu te amo no pé do ouvido, do cheiro da pessoa amada na sua nuca, dos abraços acolhedores que ninguém tem igual. Mas saudade do beijo, da presença, do calor é a que mais dói. Estava pra nascer quem me tirasse de casa seja na chuva ou no sol, só pra ter algumas poucas horas de felicidade. Quem me fizesse cometer loucuras só pra dormir melhor a noite, realizada e sem qualquer culpa. E é nesse momento que percebo que não sei nada da vida.Conheci pessoas incríveis que me apresentaram o amor em várias intensidades e tamanhos, achei que já tivesse chegado ao meu limite de paixão e dor. E não é que eu estava enganada? Sem esse clichê de que o melhor amor, sexo, beijo ou seja lá o que for, é sempre o último da nossa vida. De jeito nenhum! Ninguém tem aquele beijo, aquelas mãos, aquele coração.

Veja bem, não estou falando de perfeição. Está longe disso. Ele sempre vai morar longe demais e parecer grande demais pra minha vida. Mas ainda assim, vai me fazer sentir uma saudade nunca vista antes e morrer um pouquinho em cada noite que passo sozinha, depois de uma briga. Por ele, deixo meu orgulho de lado, volto atrás e não me sinto boba. E não, se você não está apaixonado na mesma intensidade, não me julgue. Você nunca vai ser capaz de entender e vai dizer que só passo de uma menina perdida que fantasia demais o amor. Ninguém nunca será capaz de entender o bem que ele me faz. Pode não ser o suficiente pra minha família, pros meus amigos e para os caras que acham que mereço coisa melhor. Lá vai: Eu não mereço! Ele é exatamente o meu número. Pode falar o quanto quiser que tudo vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Além de mimada, geniosa e egoísta, também sou teimosa. O segredo da felicidade é não deixar os outros interfirirem no que realmente me faz feliz. Não quero viver com medo, muito menos colocando freio em tudo que sinto e digo. A adrenalina tira meus pés do chão e é desse jeito que eu sou feliz.

terça-feira, 31 de agosto de 2010




As mulheres crescem com os mesmos medos. Medo da menarca, de não mexer com a cabeça do sexo masculino, da primeira vez, do dia seguinte, do telefone nunca tocar, do corpo não se encaixar nos padrões que as pessoas criam, de nunca achar um amor correspondido, de terminar sozinha, da dor do parto, de barata, de não ter orgasmo. Os homens crescem com medo de fazer feio com o sexo oposto, da puberdade precoce, de ser o último a ser escolhido no futebol, de virgindade, de mostrar insegurança e ser hostilizado, de dizer pro pai que não quer seguir sua profissão, de ter um amor e ser fiel. Afinal, que homem (ou eu deveria dizer: que pessoa?) nunca teve medo de amar na hora errada e deixar de conhecer todas as coisas (e pessoas) pelo caminho? Mal sabem que o melhor da vida é feito a dois, que um relacionamento não tem hora certa pra acontecer. Mas tudo bem, o tempo ensina. Ou não.

Todos os medos se tornam compreensiveis a partir do momento que te dão limites. Se você não leva mais ninguém a sério e tem fobia de relacionamentos só porque o último não deu certo: Abre os olhos! As pessoas que mais insistem em nós, são as que mais valem a pena. Se você estudou e sacrificou todos os seus finais de semana por que sonha em ser médico ou advogado, mas não deu pra você: Lave o rosto e parta para a próxima batalha. Se é o seu sonho, não deixe que seu lado negativo aflore e perturbe o resto de esperança que te resta. Tudo que é conquistado fácil demais perde a graça. Bom mesmo é o gosto da vitória. Você sabe que perdeu anos, dispensou saídas, estudou além dos seus limites, se superou, trabalhou até seu corpo dizer não e no final, os resultados não poderiam ser melhores.

Eu tenho mil medos e fobias. Tenho medo de altura, mas tenho loucura para andar de avião. Tenho medo de me afogar (já que não sei nadar), mas faria facilmente um cruzeiro. Tenho medo de gente, mas ainda não encontrei nada melhor do que o amor. E tenho medo de machucar os outros. Diria que é raro, se não for impossível, me ver sendo egocêntrica. Não consigo usar pessoas só pra passar o tempo e não faço ideia de como se fica com uma pessoa que gosta de mim, enquanto eu não sinto nada além de carinho. Fico neurótica e me coloco o tempo todo no lugar dos outros. Não enrolo pessoas, não sei falar de sentimentos que não existem, não sei me acomodar com o que me perturba, e qualquer desamor me atormenta. E por essas e outras, morro de medo de terminar sozinha. Mas penso: Será que essas pessoas cheias de amores descartáveis não são os verdadeiros solitários? Eu não. Sou solitária, me apaixono por caras que dizem não pensar em outra pessoa, mas que basta eu virar as costas que eles repetem as mesmas frases e toques para qualquer rabo de saia que esteja disponível. Acabo me conformando com migalhas e seguro todos os farelos com as duas mãos, pra não perder nenhum sorriso.

Passei a vida superando meus pequenos medos. Medo de sofrer por amor, de tatuagem, piercings exóticos, extrair ciso, vacina, quebrar algum membro, bater a cabeça, depilação com cera quente, de perder quem eu amo, de decepcionar meu pai e principalmente, de envolver minha mãe nas minhas confusões. Tive medo de reprovação, de julgamento, de me acomodar com o que não me faz feliz, de ficar velha demais pra ir pra Disney, de sair da asa dos meus pais, de fazer algumas loucuras saudáveis, de ser feliz demais e não saber lidar com isso. E o medo de pensar demais? Porque sempre perco grandes chances. Em compensação, quando penso de menos, acabo morrendo de arrependimemto e me encho de desculpas terrivelmente ruins. Nós temos medo de nascer, de morrer e de trocar os pés pelas mãos nesse intervalo de tempo.

domingo, 15 de agosto de 2010



Preciso cortar o cabelo. Mas será que eu ainda tenho dinheiro guardado? Peraí, que dia é hoje? Ih, não acredito, o aniversário do meu irmão está chegando. Eu preciso MESMO ter dinheiro guardado. Tenho que tirar xerox de bioquimica para estudar pras provas do mês que vem. Chopada de medicina? Definitivamente, não é pra mim, nem um pêlo do meu corpo sequer mudou de posição interessado. Preferia passar o dia com ele. Ah, prometo não cismar nem me apaixonar por mais nenhum cara com pouco tempo e muitas mulheres. Puts, tinha hora pior pra minha unha quebrar? Claro que não, Thais! Tinha que ser dentro do ônibus, quando você não tem uma lixa, muito menos um remédio pra cólica infernal que já acabou com o humor do meu mês inteiro. Será que esse motorista comprou a carteira dele? Como corre, nunca vi. Não acredito, não acredito, não acredito. Esqueci meu óculos em casa de novo! Ok, quando eu tiver perdido 90% da visão, talvez o meu cérebro queira trabalhar um pouco mais e se interesse em me lembrar. Ai, que saudade dele.. E aquele beijo no olho? E aquela mulher que ia ser uma sogra incrível? Por que diabos ele tem que se encaixar tão bem nos quesitos da minha lista? Em vez de lembrar do meu meu óculos e da senha do meu cartão de crédito, você só faz questão de ficar me torturando com lembranças, né? Cérebro idiota.

Sorri. Eu estava sentada perto de uma janela que não fechava no ônibus e ventava tanto, que eu achei que nunca mais ia conseguir arrumar meu cabelo na vida. Estava um calor infernal, minha cólica estava me matando, um cara qualquer falou coisas sujas quando eu estava passando e eu jurei que ia ser assaltada quando atravessei a passarela. Tudo estava contribuindo pro maior mau humor do ano. Até que eu entrei no ônibus, me perdi em pensamentos desconexos e dei o maior sorriso do mundo sem perceber. Quer dizer, só percebi quando peguei o trocador me olhando fixamente e me chamando de maluca pelo olhar. Mas é sempre assim: Eu me apaixono pela maneira como a minha imaginação ostenta meus sentimentos. Minhas dores duram três dias, minhas lágrimas caem por três horas. E logo depois, meu lado emocional passa horas se gabando pro meu lado racional.

Quando eu menos espero, começo a relembrar tudo (Ou deveria especificar que apenas uma pessoa é responsável pelos meus sorrisos que assustam trocadores?) que me fez muito feliz nos últimos seis meses. Esqueço rapidamente da angústia, da espera e dos olhos fechados. Morreria para ganhar de novo aquele beijo no olho, aquele abraço que me deixou com o cheiro dele, pra ter aquela mão entrelaçada na minha. Não é todo dia que encontramos alguém que desacelera nossa impaciência, aumenta nossa frequência cardíaca e embaralha nossos instintos de sobrevivência. E eu morro de medo de você me perder e não saber nem metade do carinho que eu guardo aqui dentro. Tenho vontade de te sacudir, mandar você deixar de ser burro dessa maneira e olhar pra mim de novo. Mas não, me preservo, me machuco.. na esperança do meu celular tocar e sua voz acalmar toda a agonia que me cerca quando você está longe.

sábado, 24 de julho de 2010




Você já teve um grande amor? Não sabe? Você já teve alguém que bagunçou toda a sua vida, confundiu suas certezas e passou a controlar toda a mistura de sentimentos inéditos que você sequer fazia ideia de podia existir? Você já teve medo daquele ser o último beijo, o último abraço, a última vez que você ia sentir o perfume dele marcado na sua roupa? Você quis que ele fosse seu para sempre sem, ao menos, saber o que era o para sempre? Você já teve a impressão de que todas as músicas do seu ipod tornaram-se, em um piscar de olhos, trilha sonora de vocês? Você está sorrindo nesse momento, só porque respondeu sim para todas as perguntas e agora está convicta de que realmente teve um grande amor. Mas, sinceramente? Bobagem, eu sempre sou sincera, você querendo ou não. Você não teve um grande amor, não mesmo. Esse tipo de coisa acontece quando temos doze anos e não sabemos a diferença de amor para paixão.

Amor de verdade não acaba. Não diminui com uma toalha molhada em cima da cama, mesmo ele sabendo que te deixa louca quando faz isso, com a ligação que ele esqueceu de fazer, mesmo você repetindo constantemente que não consegue pregar os olhos até ele dar notícias. Quem ama de verdade, perdoa. Sabe o quanto vai ser difícil para lidar com o que outro fez, mas deixa para pensar nisso depois. Quem ama de verdade, sabe que o ódio anda de mãos dadas com o amor. Sabe que ambos se tornam companheiros inseparáveis e requer cuidado ao extremo para não machucar o outro. Amar é ser egoísta a vida toda e ter vontade de dividir seu último pedaço de chocolate, é descobrir um romantismo que nunca te pertenceu antes e usa-lo como se sempre fosse a última romântica do mundo, é finalmente entender a mágica que os casais dizem sobre ver o outro dormir, é não achar o suficiente ter o cara para você, é querer levar ele na sua casa e apresentar para toda a sua família. É ter vontade de mostrar para todo mundo o quanto ele te faz feliz e depois esconde-lo num potinho para não perder sequer um sorriso. É querer cometer loucuras momentaneas, mesmo sabendo que quando a adrenalina acabar, você terá que explicar suas atitudes.

Sabemos que amamos de verdade quando a presença dele nos persegue aqui ou na China, quando o homem dos seus sonhos te dá bola e você não tem vontade nem de contar vantagem para suas amigas, muito menos, dar confiança para ele. Quando sabemos que por mais que ele erre o tempo todo, ninguém deve dar palpite, tentando mudar seus sentimentos ou opinar sobre a relação de vocês. E se nada der certo? Tudo bem, você chora, grita e procura sinais e teorias que possam explicar porque algo tão grande e bonito não deu certo. E mesmo com toda a dor que ele te deixou, mesmo você não sendo o amor da vida dele, você não se importa. Apenas bate os ombros e se pergunta: "Se eu tivesse resistido, será que valeria a pena?". E canto sozinha que o caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor.

sábado, 17 de julho de 2010



Já faz tanto tempo e parece que foi ontem que você foi embora, e sequer olhou pra trás. Meu coração e meus olhos ainda agem da mesma maneira. Desordenados e cheirando a ressaca. Mas eu não quero voltar no tempo. Não espero piedade, notícias e muito menos, amor. Você não sabe mais nada sobre mim. Não sabe que deixei o cabelo crescer, qual o livro que estou lendo, com quem estou me envolvendo. Não sabe que ainda penso em nós dois de vez em quando e ainda me assusto com a maneira que você participa da minha vida. Você não sabe que passei no vestibular e uma vez ou outra, ainda procuro saber de você (Indiretamente, eu juro!). Não sabe que sua felicidade me faz feliz, mas me machuca muito. Você não sabe mais nada sobre mim e eu ainda te amo.

Eu não cresci, não pareço mais velha nem mais inteligente. Continuo acreditando que o amor é a solução e a justificativa para tudo. Meu cabelo continua tendo vida própria, meu sorriso ainda é inocente e minhas mãos permanecem suadas o tempo todo. Não me envolvi com pessoas fantásticas desde que você foi embora, não tomei coragem para terminar meu curso de inglês nem para começar o de francês. Não viajei o quanto queria, muito menos fiz tudo que eu dizia que ia fazer quando conseguisse passar para a faculdade. Eu continuo usando irregularmente os óculos, tendo enxaquecas constantes e insônias destruidoras. Não perdi a mania de descascar todo o esmalte das minhas unhas, de usar a minha mochila colorida que te assustava toda vez que me via, não deixei de comer um monte de besteiras, enquanto você é preocupado com a boa forma. Ainda tenho aquele velho hábito de só ir pra academia quando minhas calças apertam ou acordo mau humorada. Não deletei o blog que começou com a sua despedida, ainda chego antes quando marco com alguém, não consegui deixar de associar você com o shopping que frequentávamos todo domingo (Quando vejo Era do Gelo então..). Não tomei coragem pra entrar na autoescola, ainda sou viciada em tecnologia, não largo meu celular nem por um segundo.

Eu continuo sendo louca por bis branco e aqueles filmes românticos que nós sempre sabemos o final, mas fingimos ser novidade. Não perdi a esperança de encontrar o amor da minha vida e ainda escondo de muita gente, o meu lado romântico. Ainda não sei cozinhar e reconheço seu cheiro no meio de um shopping lotado de gente passando rapidamente por mim. Você não sabe nada sobre mim e levou todo o meu melhor quando foi embora. Mas assim como você não sabe nada sobre mim, eu também não faço ideia de como você esteja. Não sei se ainda tem o mesmo cheiro de tomei-banho-para-sempre, se o seu sorriso ainda continua lindo e se a sua pontualidade ainda é seu ponto forte. Não faço ideia se continua sendo virginiano demais, lotado de manias e responsabilidades, fingindo ser o homem mais forte do mundo, enquanto morre de vontade de correr pro colo da mãe quando ninguém está olhando. Não sei se ainda pensa em mim quando escuta a nossa música ou come no Spolleto. Espero que não pense em ter filhos ou levar o seu novo amor à Paris. Eu não sei nada e sei tudo.

Tenho vontade de pegar o primeiro avião e sair te procurando por aí, como nesses filmes americanos. Transbordando certeza, confiante de que você pensa em mim e só segue a vida desse jeito, para não se machucar (e me ferir de brinde). Não acredito que você seja tão egocêntrico como foi da última vez e desconfio de cada Te amo que você diz para outras pessoas. Em compensação, meu lado racional prova que não me deixou na mão. Me mostra uma série de evidências que te culpam até vida que vem e me fazem jogar a esperança no lixo, nada de colocar em baixo do tapete, não sou fraca assim. E no segundo seguinte, quando percebo que estou pensando em você, coisa que não fazia faz tempo, dou um sorrisinho de lado e me pergunto até onde vamos por alguém. Coloco a mochila nas costas e desço do ônibus rapidamente. E sorrio de novo, quando encontro quem me libertou de todos os meus medos desde que você foi embora. Pode não ser o melhor partido de todos, mas ele é exatamente como eu sonhei, cabe direitinho na minha vida e não cansa de causar um eterno rebuliço nas minhas emoções.

segunda-feira, 5 de julho de 2010



E se a vida real fosse como jogar The Sims? Onde nós podemos controlar cada passo, ter o corpo malhado, o cabelos dos sonhos, criar relacionamentos em horas e ganhar dinheiro apertando apenas três teclas. Poderíamos voltar atrás com cada emprego, relacionamento e amizade que fracassasse. Bastava não salvar tudo que vivemos, para termos a chance de fazer dar tudo certo. E se mesmo assim, a vida não fosse do jeito que planejamos, infelicidade não faria parte do nosso vocabulário. Toda vez que fosse difícil ser feliz, acumularíamos alguns pontos e mudaríamos rapidamente o nosso maior sonho, por algum que coubesse exatamente nas nossas mãos.

Nada que algumas horas em frente a televisão, uma ida ao spa ou uma viagem fora de hora para manter o cabeça cheia e um sorriso pronto no rosto. O chuveiro quebrou? A televisão pifou na hora que você resolveu assistir um programa que você sequer sabia que existia, só pra melhorar o seu humor? Compramos outro chuveiro, outra televisão, outra vida. Enjoou de ser morena, de olhos azuis e casada com um careca mau sucedido? Pronto, resolvido. É só esperar alguns minutos. O jogo vai salvar e podemos investir em outra vida mais interessante.

A vida seria previsível e nada mais teria a chance de nos machucar. Não saberíamos o que significa limite, dor, intensidade, erro e fracasso. Seríamos pequenos robôs, controlados pelo fluxo de interações que todo o resto decide por nós. Nós escolheríamos o homem da nossa vida, que por coinscidência (ou comodismo, entenda como quiser) seria nosso vizinho. Ele é casado e tem filhos, mas tudo bem. O casamento acaba, os filhos não vão ficar chateados com ele e o máximo que a ex mulher vai fazer é chutar sua lixeira em algumas madrugadas. Nada de recaídas e sentimentalismo. Só restaria frieza e aceitação.

Não saberíamos o valor de um abraço sincero, de um beijo apaixonado, de um amor não correspondido. Não teríamos o emprego dos sonhos, sequer poderíamos escolher o que fazer da vida. Sempre teria alguém dizendo o que, quando e onde deveríamos estar. Não saberíamos o significado de borboletas na barriga e mãos suadas quando vemos alguém especial. Não saberíamos o que significa indecisão, ansiedade, felicidade. Seriamos felizes por três dias. O tempo que dura uma gestação, uma promoção, um crescimento. Até sentirmos falta do que realmente dá sentido aos nossos dias. Nós não aprendemos com nossas conquistas, aprendemos com nossos erros, dores e toda a solidão que apresentam para gente com o passar dos dias. Duvide se não houver inimigos, solidão e insatisfação em algum momento. Não queira ser parte de um jogo, onde o controle é colocado acima de todos os sentimentos e vontades. Dedique horas do seu dia à ele, mas não esqueça que a realidade é muito mais interessante.

Reclamamos de falta de liberdade e independência, mas nunca paramos pra pensar que temos o mundo ao nossos pés. Ignoramos pequenos detalhes, pequenos amores, pequenos gestos. Estamos sempre querendo mais e mais, e esquecendo que o que realmente importa, nós já temos. Sem esse papo clichê de que só infeliz quem quer e que se o amor (ou a vida) não der certo, basta seguir outro caminho. Nós somos as criaturas racionais mais irracionais de todas. De que vale a inteligência, o dinheiro no bolso, a carreira dos sonhos e o casamento de anos que você se gaba pelos quatro cantos, se você não é feliz? Eu sou a favor da liberdade interior. Amo quando quero, quem eu quero e até quando achar necessário. Tenho minhas ideias fixas e vou seguir com elas até o dia que perceber que não vale mais a pena. Chuto o balde, sacudo os tapetes e lavo minha alma como se esse fosse o último dia da minha vida. Quer liberdade maior do que sentir, falar e ouvir o que der na telha? Não preciso do carro do ano, das festas mais badaladas e de uma carta de alforria para cometer todas as loucuras que minha família ou os meus amigos, em momentos de sanidade, me proíbam de fazer. Revolte-se quando achar necessário. Surte quando você não souber lidar com o que te perturba. O limite sempre esteve nas nossas mãos, só que estamos tão preocupados com todo o resto, que acabamos não tendo nada pra contar história.

quarta-feira, 30 de junho de 2010



Ando (re)conhecendo vários tipos de homens que estão ao meu redor. O cara mais novo que passou pra faculdade e vai ter que sair de casa, e largar a famlia e a namorada de anos para seguir seus sonhos. E nem por isso, dói. Ele termina o namoro como um cachorro quente da esquina, e antes de pisar em terra firme, já quer fazer planos com a minha companhia e me assusta, me afasta rapidamente. O cara que me conhece há anos, tem os mesmos amigos e só reparou em mim agora. O ex namorado que me fez sofrer e agora tenta ser meu amigo. O irmão da minha amiga, que era bonito quando eu frequentava sua casa e agora que se tornou um cara sem graça, olha pra mim com outros olhos. O bombado narcisista que passa o dia na academia, enche o orkut de fotos sem camisa, nunca tira o boné e garante que quer ser médico.

Tem o cara mais velho, experiente e interessante. Cheio de frases bonitas e teorias prontas que com certeza, deixaria maior parte das mulheres loucas. E o mais surpreendente: Ele é realmente para casar. Não pensa em noites perdidas e pessoas vazias, só entra de cabeça no que promete futuro. E o cara que sempre esteve me sondando? De família, com emprego fixo, carro do ano, vinte e poucos anos e querendo investir em mim. Bom de papo e dizem as más linguas, que de cama também. Me enche de declarações e não desiste de mim, mesmo depois de conhecer o meu pior. Tem o cara das pernas malhadas, o que vem cheio de boas referências dos amigos em comum, o tatuado que faz cinema, o que não sabe falar da vida e deixa claro seu interesse momentâneo, o que me pagou um milho e achou que eu daria meu coração como troco, o que era acompanhava minha amiga e não respeitou (nem entendeu) a minha rejeição, o ex namorado que nunca me superou e um velho amigo que acha que me provoca alguma coisa quando lembra das nossas picuinhas do passado.

Eu tenho milhões de caras interessantes. Caras que poderiam marcar a vida de inúmeras mulheres solitárias por aí, mas eles não entendem e ainda perdem tempo comigo. Ainda não compreendo porque bato palmas (de pé) para quem vale a pena, mas só entrego meu coração para o incerto. Eu gosto mesmo é das suas mãos pequenas e inchadas, e sorrio toda vez que você diz que elas só são gordinhas assim por causa da bebida. Não troco sua ausência. Não consigo te odiar nem quando você diz que está com sono, mesmo depois de eu ter feito loucuras só para estar do seu lado. Gosto da maneira como você brinca com o que seria vulgar ou poderia machucar vindo da boca de outra pessoa. Gosto como você desperta o meu romantismo, o frio na barriga e a esperança. Mas odeio seus sumiços, os passatempos que você conhece onde anda, o quanto você me deixa louca de saudade, o jeitinho manso que você desperta minhas melhores qualidades e os piores defeitos, que sempre manti em cativeiro e achava ter total controle.

Eu amo seus beijos, odeio sua desconfiança. Eu amo seu carinho, odeio nossa distância. Eu amo o jeito que você me olha, odeio depender de você. Eu amo os seus ciúmes e cuidados, odeio não ser a única a recebe-los. Eu amo seus abraços aleatórios, odeio quando você me faz chorar. Eu amo quando meu cabelo enrosca na sua barba, odeio quando seu sumiço afeta toda a minha vida, inclusive o meu humor. Eu amo quando você me segura pela mão para eu não cair, quando eu não enxergo onde piso, odeio o fato de você não gostar de planos. Eu amo o seu romantismo fora de hora, odeio como esqueço de todas as brigas quando você diz que quer me ver. Eu amo você. I love everything about you that hurts.