
Não basta o cara acabar com a minha vontade (mínima) de viver, destruir meus sonhos infantis e me fazer perder o interesse em gostar de pessoas novas. Não basta ele colocar minha vida de cabeça pra baixo. Não, ele tinha que acabar com a minha vontade de escrever, não só sobre ele, mas sobre todos os outros. Não basta ser egocêntrico (e lindo), acomodado (e romântico) e galinha (e ter a melhor presença do mundo), o cara quer me perturbar até quando não se aproxima. De onde surgiu isso, Deus? Cadê o manual de instruções? Eu só queria ser feliz, cara. Ok, eu sei que errei em ter dado toda essa responsabilidade nas suas mãos, mas o que eu vou fazer agora? Não, nem vem, já cansei de chorar, procurar saber como aquela história de amarração funciona e até mesmo, dispensei chances incríveis com medo de você voltar de repente e me encontrar ocupada.
Agora chega. Eu ainda te amo e é por isso que estou te deixando seguir. Sabe aquela história de que você pode ter muitas fulaninhas na sua vida, mas é comigo que você vai casar? Já nem sei se acredito mais. Te vejo atualizando as redes sociais com mil fotos sem sentido, rodeado de gente que eu nunca seria amiga (e que muito menos, gostaria que frequentasse a minha casa) e álcool. Você é incrível, mas está com as pessoas erradas. Se um dia quiser mudar de vida, se um dia você cansar de toda essa baboseira dos seus amigos que se acham eternamente pré-adolescentes, eu vou estar aqui. Pode ser tarde demais pra você cansar das suas fulaninhas e me procurar, já vou avisando. Parei de reservar o seu lugar do meu lado, não aceito mais cheque nem cartão. Só dinheiro vivo. Só assim pra acreditar que tem alguma chance de você aparecer aqui.
Vai aparecer? ótimo, não nego que vou criar esperanças, correr pro salão, shopping, depilação e tudo mais. Sempre vou querer estar impecável pra você, não tem jeito. Vai sumir de novo? Tudo bem, eu sobrevivo, você sempre me machuca pra sempre e no dia seguinte, eu continuo viva, mesmo aos pedaços. Aprendi a viver assim, vou fazer o que? No final das contas, descubro que tudo que me irrita em você, faz parte do meu dia a dia. Somos igualzinhos. E é por essas e outras que, as vezes, acho que é mais saudável você ficar com as suas fulaninhas. Elas podem ser inteligentes, bonitas e ter empregos incríveis, mas quem parar pra analisar vai ver que (sem querer?) elas serão sempre loiras inseguras que fazem medicina. É disso que você gosta, é isso que eu sou. Por isso, to aqui. Ainda quero te beijar, abraçar, conversar e até passar noites ao seu lado, mas não quero isso pra sempre. Quero te curtir enquanto eu me curto, porque no final das contas… somos igualzinhos e esse nosso narcisismo cansa uma hora ou outra.
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Postado por Thais Luquez às 01:03 1 comentários
sexta-feira, 11 de março de 2011

Eu gosto de detalhes e tenho péssima demora. Como conciliar? Eu escrevo pra lembrar. Escrevo pra não esquecer as vezes que mais me machucaram e melhor me amaram. Não quero perder nenhum detalhe na hora de contar minha história pra alguém. Quero que as pessoas consigam chegar perto de imaginar tudo que eu senti com os homens que mais marcaram na minha vida. Não basta viver um grande amor, o apaixonado sempre tem vontade de dizer o nome do sortudo pelos quatro cantos. Já tive vontade de dançar com uma mensagem de boa noite, já chorei quando a pessoa certa lembrou de mim em uma tarde chuvosa e vazia, já me libertei de medos que eu achei que fosse levar a vida inteira porque alguém soube me amar quando eu mais precisava.
Eu quero lembrar por um bom tempo de como ele passava a mão de leve nas minhas costas enquanto o silêncio parecia ser uma das melhores conversas que tive na vida. E o pés? Nossos pés se encaixavam perfeitamente, como se aquela tarde não passasse de uma rotina criada pela minha imaginação. Ele olha nos meus olhos, mas fica inibido quando olho também. Não posso nem devo esquecer de todo o cuidado que ele teve comigo. Eu não sou o amor da vida dele, sequer precisamos um do outro pra ser feliz, mas ele me deu a mão e só pediu confiança, disse que todo o resto ficaria na responsabilidade dele. Ele não esta incluido nos meus grandes amores, aliás... ele não está incluido em lugar algum e essa situação me perturba tanto que eu deixo ele participar desse texto. Tenho medo, muito medo, mas o que é a vida se não for cheia de riscos?
Com o outro era diferente. O "outro"... eu não deveria chamar um grande amor assim, mas como continuar a vida se o nome dele me perturba? Então, me limito. Eu gosto de não me deixar esquecer do momento em que ele beijou meus olhos e aquilo valeu mais do que qualquer pedido de namoro. Naquele segundo, eu tive certeza de que não adiantava lutar contra o maior canalha de todos os tempos, porque ele sabia usar os melhores truques. Eu queria que ele soubesse que me surpreendeu muitas vezes, mas poucas foram as que eu gostei. Eu esperei você no meu aniversário, enquanto estava rodeada de gente, mas ninguém me bastava. Eu esperei você naquela noite em que coloquei meu melhor vestido só pra você me exibir de um lado pro outro. Eu esperei você na minha casa, todas as tardes, imaginando o que ia dizer, que cara ia fazer e o quanto eu poderia te amar mais ainda.
Eu tenho um ex namorado daqueles que demoramos anos pra conseguir desapegar, sabe? Ele era tímido, canceriano e sem orgulho algum quando se tratava de nós dois. Quase nunca me surpreendia, vez em quando, aparecia com chocolates na porta do meu colégio ou se declarava no meio de uma tarde vazia. Ele era boa pessoa, mas sempre deixou claro demais o quanto gostava de mim e acho que isso que estragou tudo. A pergunta é: Até onde podemos deixar uma pessoa nos conhecer? Chegamos ao ponto de eu não conseguir mais lidar com tudo que ele podia oferecer. Eu queria sempre mais, eu queria coisas que ele não podia me dar. O ponto final foi inevitável.
Conheci um cara incrível quando eu menos esperava. Mais velho, sério, de família e tão carinhoso, que fazia com que eu me sentisse uma menininha de laço na cabeça. Passamos um bom tempo juntos, elegemos uma música, vimos filme de criança no cinema. Ele me respeitava tanto que eu mal podia acreditar que tudo aquilo estava acontecendo comigo. Mais uma vez, não soube lidar com o que podiam me oferecer e caí fora. Mas é claro que um tempo depois, ele apareceu mais bonito do que nunca e eu voltei a cair na rede. Ele deixou marcas terríveis no meu coração por muito tempo. Mas com o passar dos anos, reconhecer meus erros e apontar os dos outros foi se tornando tão natural que quase nem sinto mais. Ou melhor, poderia até arriscar que já não sinto coisa alguma.
Não gostaria jamais de esquecer o cara mais novo que me envolvi. Pouca idade, muitos hormônios, pernas incríveis, quase nada na cabeça. Como eu me diverti com aquele sujeito... mas nesse caso, foi ele quem não soube lidar com tudo que ofereci. Em um dia, eu era a outra, no dia seguinte, fui namorada. Ficamos pouco tempo juntos, mas ele despertou um lado romântico meu que nunca havia conhecido com nenhuma outra pessoa. Acho que foi nesse momento que eu me tornei a última romântica do século XXI. Em compensação, como aquele maldito me machucou. Acho engraçado dizer que chorei três dias e morri por três noites, sem qualquer exagero. Quando os três dias se passaram, parecia que a nuvem negra tinha ido pra bem longe da minha vida, mas voltei a ser uma pessoa solitária.
Eu gosto de detalhes, amor platônico, amor correspondido, ligação no meio da noite, mensagem no meio do dia, palavra de conforto em um momento dificil. Eu gosto de simplicidade, carinhos, pés entrelaçados, mãos tímidas, olhares nervosos. Não gosto de joguinho, medo e de tudo mais que as pessoas impõe pra viver em um eterno filme americano, esperando que a vida ganhe mais emoção. Eu faço o que quero ontem, hoje, amanhã e só me dou o direito de arrependimento por alguns momentos, porque logo depois, descubro tudo de bom que eu aprendi. As pessoas me ganham nos detalhes, quando nem desconfiam que já me tem nas mãos.
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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pedro me chamou pra sair, Lucas se ofereceu para carregar minha bolsa enquanto caminhávamos até a biblioteca, Rafael me liga quase sempre, João cancela qualquer compromisso quando chamo pra sair, Júnior sempre deixa claro que me quer em sua vida pra algum compromisso sério, Léo só quer diversão e não para de me olhar, Marcos exagera no senso de humor só pra ver se caio no seu papo, Matheus só quer me levar pra cama e desaparecer no dia seguinte, Robson jura que não consegue encontrar alguém melhor do eu. Murilo não consegue se conter e tenta me agarrar no corredor. Fábio me olha nos olhos com a maior intensidade que eu já vi na vida.
Eu conheço mil caras e juro que não entendo como gosto tanto do seu carro vermelho, da sua testa franzida de uma maneira que pede colo, das suas mãos inchadas, das suas promessas vazias, do jeito como você fala que me ama no pé do ouvido, dos seus abraços que esbanjam carência, da maneira como você adora discutir comigo as menores coisas, de como você é lindo de mau humor. Eu gosto tanto de você, que passei a gostar mais de mim. Eu me coloco em primeiro lugar para que você consiga me amar de uma maneira inexplicavelmente incrível. Não quero ser mais uma mulher maluquinha que você conhece, dá boas risadas e depois vai embora sem olhar para atrás. Então tira essa camisa e volta pra cama. Vem bagunçar meu cabelo, falar bobagem e me amar sem pressa, como se tivessemos a vida inteira pela frente.
Eu procuro explicação em búzios, tarot, astrologista, terapia, filmes e o diabo a quatro. Porque eu não quero sentir essa saudade do tamanho do mundo toda vez que você me dá um beijo de despedida. Não quero ter que sair correndo pra arrumar meu cabelo bagunçado, porque nós temos agendas apertadas e deveriamos estar em outro lugar. Não quero ter que aturar seus amigos idiotas enchendo a cara e fazendo piada ruim de madrugada só pra você me achar uma forte candidata para o posto de namorada. Não quero ter que largar minha familia em casa, viajar por uma hora e meia e ter que te dividir com mais cinco pessoas. Não quero a luz acesa enquanto falamos segredos ao pé do ouvido. Não quero me apaixonar, cada vez mais, pela sua familia enquanto você não me dá garantia nenhuma de futuro. Não quero ter que aturar seus atrasos só porque minha saudade é sempre enorme. Não quero ignorar minhas necessidades, porque você exige demais de mim. Será que você aguenta o tranco? Será que você aguenta me colocar na garupa e me levar junto com você?
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sábado, 20 de novembro de 2010
Eu não tinha certeza do que me prendia a ele, mas também não fazia ideia do que não me deixava ir embora. Ele nunca passou se um cara comum, desses que eu poderia conhecer em qualquer barzinho, rodeado por amigos, mulheres descartáveis e boa bebida. E isso me angustiava mais do que o normal. Afinal, maior parte desses caras que conhecemos por aí são iguais, mas eu tinha certeza de que ele não se encaixava tão facilmente assim nessa laia. Eu queria saber se estava enganada, se ele realmente não era mais um cara banal que ia passar na minha vida.
Nos beijamos. Ele não precisou de mais de meia dúzia de palavras para me beijar. Um absurdo, eu sei. Mas naquele dia, eu quis testar os meus limites. O álcool não me dominava. Alias, verdade seja dita: Ele nunca me dominou. Mas como eu não faço nada na vida sem uma teoria ou justificativa, o usei sem pensar duas vezes. E naquele momento, ele deixou de ser mais um cara vazio. Em questão de segundos, eu já tinha percebido que estava me metendo em uma das maiores furadas da minha vida. Certos beijos possuem tanta intensidade, tanta entrega, que valem mais do que uma vida.
Nenhum diálogo, nenhuma amizade de anos ou qualquer envolvimento possível que eu poderia ter com ele, não se comparava a nossa afinidade. Eu queria saber dos seus medos, do seu passado, do seu sexo. Eu queria ter ele nas mãos com a mesma ansiedade de uma criança com um brinquedo novo. Sem perceber, eu havia me transformado em uma criança mimada, egoísta e ciumenta. Não dividia, não emprestava, não vivia. E quando abri os olhos e chorei o maior choro do mundo que eu finalmente percebi o quão profundo era o poço em que eu havia me metido. Desde o começo, eu sabia que ele era confusão das boas, mas o que algumas palavras bonitas não fazem? Que mulher não quer ser a exceção do cara que ama? Que mulher não procura sinais o tempo todo, na esperança de encontrar uma solução pro que machuca? Observação: Nesse momento, meu professor acaba de dizer, aleatoriamente, que uma vida boa não é de mais nem de menos, é a boa pra dois. Isso deve ser um sinal, não é? Triste realidade.
É, você, minha mãe, meus amigos e até mesmo meu professor de histologia acham que eu deveria colocar fim no que me machuca mais do que me faz bem. Mas será que alguém pode se colocar no meu lugar? Eu tirei toda a minha armadura, abandonei meus medos e ignorei meus princípios para ficar do lado dele. Ele descobriu coisas que eu não fazia ideia de que escondia. Fez meu corpo, minha alma, meu sorriso de mapa e explorou cuidadosamente cada sarda minha. E toda vez que me perguntam o que esse cara comum tem de tão incrível pra me manter fiel aos meus sentimentos mesmo na dor, eu me mantenho silenciosa. Sequer me dou ao trabalho de responder. Ele tem tudo ao seu favor e isso basta.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Oi? Eu que começo? Não sei bem como me comportar em uma situação dessas. É bem diferente do que eu esperava. Achei que seria mais fácil, levando em conta que nós sempre falamos dessas coisas com os amigos e no final, só resta dar boas risadas e deixar pra lá tudo que foi dito, né? Então, tá quente hoje, né? Vocês acham que amanhã vai chover? Eu não vou fazer prova final de semana, mas coitado do pessoal que vai. Tá ok, tudo bem, já entendi. Vou começar e parar de enrolar vocês assim. Oi, meu nome é Thais e eu tenho problemas com o desapego. Pronto, falei.
Não tem drama, teoria ou explicação. Demoro mais do que as outras pessoas para me desapegar ao celular que passei anos, daquela calça jeans que parecia se adequar a todos os meus passos e aos amores que eu juro que são os últimos que eu terei. Então, é isso. Eu me entrego facilmente a melancolia do "não ter" e depois de um tempo, é como se eu tivesse a maior dor do mundo dentro de mim. Eu sei, parece dramático demais e é, mas eu sou leonina. Não que isso seja uma grande desculpa. Eu sequer acredito tanto assim em astrologia, mas na hora que falta uma resposta na ponta da língua pra justificar os erros e a personalidade dificil de lidar, até de ascendente eu falo.
Minha falta de desapego é crônica. Não tem terapia e antidepressivo que dê jeito. Minha primeira paixão de colégio durou quatro anos, porque eu não olhava pros lados, como se namorasse sozinha. E não mudei muito. Basta o cara me dizer meia dúzia de palavras bonitas e descobrir meus pontos fracos, que eu já incluo fidelidade no pacote, como se fizesse parte da promoção o tempo todo e ele não tivesse percebido. É automático, não tem jeito. E quando tudo termina, eu fico assim, jogada pelos cantos, me achando a mulher mais boba de todas e querendo manter distância do sexo oposto. Sim, eu sei, eu mantenho distância e isso faz com que eu me apegue mais ainda ao falecido.
Me apego aos amores impossíveis e platônicos, aos meus celulares, a manter as unhas feitas toda semana, ao meu jeans preferido, a pensar na vida toda vez que pego ônibus, aos meus seriados, a educação em excesso, aos meus sentimentos que sempre são sinceros e até mesmo, em prendedores de cabelo. Não gosto muito de mudanças, mas acredito que são necessárias. Me envolvo de cabeça, corpo e alma em tudo que entro e tenho mania de contar toda a minha vida pra pessoas que eu mal conheço, esperando que elas tenham o mínimo de consideração e amizade por eu ter compartilhado meus segredos e sentimentos assim, sem hesitar. Eu sei, me desculpe, estou perdendo o foco. Mas isso é um apego também, né? Apego em compartilhar minhas felicidades esperando que o outro fique feliz também. Afinal, de que valeria a vida se não pudessemos nos apegar a pessoas que caminham ao nosso lado? É, eu sei que arrisco demais. Será que isso tem cura? Não sei não, heim. Será que é uma boa ideia? Eu posso pensar? Sei lá.. já passei tanto tempo convivendo com a ojeriza ao desapego que acho que me apeguei à ele.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O cara perfeito não me deixa louca, porque perdeu a hora com os amigos e esqueceu de dar notícias. Ele manda mensagem até no meio do futebol. Ele nunca cansa de me surpreender. Me manda flores e me enche de chocolates quando eu menos espero, nada de esperar datas comemorativas. Ele se veste bem, conhece bons restaurantes e está sempre disposto a me apresentar algo novo. Não cansa de me elogiar. Não cansa de dizer o quanto sou inteligente, bonita e especial. Ele não olha pra mais ninguém e me ama como se fosse a última pessoa por quem fosse se apaixonar. É intenso e carinhoso. Quase não tem ciúmes.
O cara perfeito é um completo cavalheiro. Adora as minhas amigas, passa horas conversando com a minha família e perde a noção do tempo quando brinca com meus cachorros. Não se atrasa, me enche de mimos e me acha a mulher mais bonita de todas mesmo quando chega de surpresa na minha casa, e me acorda com um beijo no olho. Fala palavrão só quando necessário, e quando fala, faz questão de se desculpar, e abre a porta do carro até quando a gente briga. Peraí, nós não brigamos. Nunca. O cara perfeito me faz a dona da razão, mesmo quando estou errada. Nunca se altera e sequer muda o tom de voz comigo.
O cara perfeito entende a minha tpm louca e não acha que é apenas uma invenção das mulheres. Ele vê comédia romântica no cinema. Aliás, ele vê o filme quando vai pro cinema comigo. Chega desses caras que escolhem o filme pela duração e querem me fazer de protagonista. Ele lembra todos os aniversários de mês de namoro, como se fosse o primeiro filho de um casal, sabe? Ah, como eu poderia esquecer disso... ele quer casar na igreja e ter, pelo menos, dois filhos. E faz questão de pedir a minha mão para o meu pai, como manda a regra.
Não some, não me trai e não me magoa. Parece que ele só dá um passo a frente depois de se certificar que o terreno é seguro para eu passar. Tem mania de proteção, é previsível, larga os amigos quando eu faço charme e não faz sexo, faz amor. Ele não bebe, não fuma e nunca experimentou nenhum tipo de droga. Vai à poucas festas, é caseiro. Prefere cinemas e teatros. Não é muito fã de lugares barulhentos com pessoas suadas e nenhum propósito de vida. Ele lê bons livros, escreve maravilhosamente bem e tem rostinho de menino mais novo, desses que dá vontade da gente colocar no colo e não largar nunca mais. Nenhuma barba, nenhuma história. Como se tivesse feito especialmente para você e ninguém tivesse tido a chance de tocar antes. E quer saber o melhor? O cara perfeito não existe. Ainda bem, porque ele seria um tremendo porre.
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sábado, 25 de setembro de 2010

Ok. Ele tinha algo em especial. Afinal, me tirou do fundo do poço sem, ao menos, saber do quão funda era a minha solidão. Me deu a mão, me beijou como se tivessemos acabado de descobrir o beijo e passou a mão nos meus cabelos como se já me conhecesse há dias e soubesse exatamente de todos os meus pontos fracos. Ele despertou o meu lado mais romântico e sonhador. Eu não podia acreditar que finalmente as coisas estavam dando certo pra mim, depois de tantas escolhas erradas que já havia feito na vida. Eu sequer sabia pra onde correr enquanto ele estava na minha vida. E ele veio, cada dia mais, doce e sereno, agindo como se tivesse o mundo nas mãos e a pressa fosse sua pior inimiga. Não escondo meu choque, minha esperança e ausência de medo. Pelo contrário, procurei explicação na astrologia, nos livros, em búzios, cartas e todo o resto de enrolação que todo mundo diz existir. Eu só precisava que alguém me beliscasse e dissesse: Relaxa, Thais, não é só um sonho. As coisas finalmente estão dando certo pra você. E todos me disseram isso. Quer dizer, quase todos. Mas eu não me importava, ignorava todas as críticas e sinais negativos que você não era e nunca iria ser meu. E em um piscar de olhos, lá estavamos nós.. conversando sobre futuro, filhos, empregos. Com as mãos entrelaçadas e o coração quase saindo pela boca.
Poucas vezes na vida, ou melhor.. apenas uma vez, consegui encontrar alguém que realmente me fizesse pensar em futuro. De verdade, sabe? Sem aquela esperança boba dos casais temporários, que matam o tempo pensando em futuro, mesmo sabendo que nunca vão conseguir levar uma vida juntos. É de esperança de gente grande que eu tô falando. Eu quis que ele conhecesse minha família, mimasse meu papagaio e não tivesse hora pra sair da minha casa. E mesmo morrendo de medo, você me fazia esquecer de tudo e conseguia ser melhor do que todo o resto. Era só nós dois, no celular as cinco horas da manhã, fazendo mil declarações e sorrindo bobo. Nada mais importava. Aliás, isso era meio óbvio, não? Porque diabos eu ia ligar pro resto do mundo, se eu mal conseguia lidar com toda felicidade que explodia dentro de mim?
Demorei a acreditar que aquilo tudo era pra mim. Mas perdi as rédeas depois do primeiro Eu te amo. Eu não sabia se te abraçava pra sempre ou se segurava minha felicidade até você virar a primeira esquina, pra não te assustar. E naquele momento, eu descobri que era mais sua do que nunca. Como se já não bastasse tudo que me matava de felicidade, você ainda diz que me ama agora. Alguém tinha que avisar pra ele que isso não se faz. Não se dá tanto carinho pra um coração machucado. Eu já não tinha olhos pra mais ninguém. Ele me dava o básico de uma relacionamento e eu me portava como uma criança mimada, colocando as mãos nas orelhas, todas as vezes que alguém viesse com algum palpite tolo sobre nós. Ah, quer saber? Dane-se! Vou dar o meu melhor sem pensar duas vezes e... não me arrependi. Caramba, o que é isso? Ah sim, o alarme de perigo tocando.
Passou um, dois, três, seis meses. Abri meus olhos. Ele já não era o melhor cara do mundo. Já tinha virado mais um cara previsível. As promessas eram as mesmas de antes que não haviam sido cumpridas. Eram empurradas com a barriga, junto meu niilismo. Percebi que chegamos ao final, quando me perguntei: Cadê todo aquele amor ansioso que eu guardava dentro de mim? Ele aquietou. Meu coração de machucado pulou pra cansado. De cara incrível, você passou a ser mais um desses caras inseguros que querem abraçar o mundo, mas tem medo de dormir sozinho de noite. E todo dia, eu mato um pouquinho de você dentro de mim. Nada de músicas melancólicas e masoquismo típico do fim. Eu te mato sendo feliz. Abro as mãos e deixo as migalhas irem embora. Sem lágrimas, sem dor, sem ilusão. Eu te desejo tudo de melhor e espero que você queira o mesmo pra mim, por isso, peço pra que me deixe ir embora. Meu coração acelera, penso que não vou conseguir resistir, mas mantenho minha decisão. Coloco as mãos no seu rosto, enquanto olho pra você pela última vez e beijo delicadamente seus olhos. Sem pressa, não quero perder nenhum momento. Como um mantra, uma simpatia, uma despedida. Obrigada, eu penso. Deixo a chave em cima da mesa, bato a porta e sorrio aliviada.
Postado por Thais Luquez às 14:03 16 comentários

