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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010




Pedro me chamou pra sair, Lucas se ofereceu para carregar minha bolsa enquanto caminhávamos até a biblioteca, Rafael me liga quase sempre, João cancela qualquer compromisso quando chamo pra sair, Júnior sempre deixa claro que me quer em sua vida pra algum compromisso sério, Léo só quer diversão e não para de me olhar, Marcos exagera no senso de humor só pra ver se caio no seu papo, Matheus só quer me levar pra cama e desaparecer no dia seguinte, Robson jura que não consegue encontrar alguém melhor do eu. Murilo não consegue se conter e tenta me agarrar no corredor. Fábio me olha nos olhos com a maior intensidade que eu já vi na vida.

Eu conheço mil caras e juro que não entendo como gosto tanto do seu carro vermelho, da sua testa franzida de uma maneira que pede colo, das suas mãos inchadas, das suas promessas vazias, do jeito como você fala que me ama no pé do ouvido, dos seus abraços que esbanjam carência, da maneira como você adora discutir comigo as menores coisas, de como você é lindo de mau humor. Eu gosto tanto de você, que passei a gostar mais de mim. Eu me coloco em primeiro lugar para que você consiga me amar de uma maneira inexplicavelmente incrível. Não quero ser mais uma mulher maluquinha que você conhece, dá boas risadas e depois vai embora sem olhar para atrás. Então tira essa camisa e volta pra cama. Vem bagunçar meu cabelo, falar bobagem e me amar sem pressa, como se tivessemos a vida inteira pela frente.

Eu procuro explicação em búzios, tarot, astrologista, terapia, filmes e o diabo a quatro. Porque eu não quero sentir essa saudade do tamanho do mundo toda vez que você me dá um beijo de despedida. Não quero ter que sair correndo pra arrumar meu cabelo bagunçado, porque nós temos agendas apertadas e deveriamos estar em outro lugar. Não quero ter que aturar seus amigos idiotas enchendo a cara e fazendo piada ruim de madrugada só pra você me achar uma forte candidata para o posto de namorada. Não quero ter que largar minha familia em casa, viajar por uma hora e meia e ter que te dividir com mais cinco pessoas. Não quero a luz acesa enquanto falamos segredos ao pé do ouvido. Não quero me apaixonar, cada vez mais, pela sua familia enquanto você não me dá garantia nenhuma de futuro. Não quero ter que aturar seus atrasos só porque minha saudade é sempre enorme. Não quero ignorar minhas necessidades, porque você exige demais de mim. Será que você aguenta o tranco? Será que você aguenta me colocar na garupa e me levar junto com você?

sábado, 20 de novembro de 2010




Eu não tinha certeza do que me prendia a ele, mas também não fazia ideia do que não me deixava ir embora. Ele nunca passou se um cara comum, desses que eu poderia conhecer em qualquer barzinho, rodeado por amigos, mulheres descartáveis e boa bebida. E isso me angustiava mais do que o normal. Afinal, maior parte desses caras que conhecemos por aí são iguais, mas eu tinha certeza de que ele não se encaixava tão facilmente assim nessa laia. Eu queria saber se estava enganada, se ele realmente não era mais um cara banal que ia passar na minha vida.

Nos beijamos. Ele não precisou de mais de meia dúzia de palavras para me beijar. Um absurdo, eu sei. Mas naquele dia, eu quis testar os meus limites. O álcool não me dominava. Alias, verdade seja dita: Ele nunca me dominou. Mas como eu não faço nada na vida sem uma teoria ou justificativa, o usei sem pensar duas vezes. E naquele momento, ele deixou de ser mais um cara vazio. Em questão de segundos, eu já tinha percebido que estava me metendo em uma das maiores furadas da minha vida. Certos beijos possuem tanta intensidade, tanta entrega, que valem mais do que uma vida.

Nenhum diálogo, nenhuma amizade de anos ou qualquer envolvimento possível que eu poderia ter com ele, não se comparava a nossa afinidade. Eu queria saber dos seus medos, do seu passado, do seu sexo. Eu queria ter ele nas mãos com a mesma ansiedade de uma criança com um brinquedo novo. Sem perceber, eu havia me transformado em uma criança mimada, egoísta e ciumenta. Não dividia, não emprestava, não vivia. E quando abri os olhos e chorei o maior choro do mundo que eu finalmente percebi o quão profundo era o poço em que eu havia me metido. Desde o começo, eu sabia que ele era confusão das boas, mas o que algumas palavras bonitas não fazem? Que mulher não quer ser a exceção do cara que ama? Que mulher não procura sinais o tempo todo, na esperança de encontrar uma solução pro que machuca? Observação: Nesse momento, meu professor acaba de dizer, aleatoriamente, que uma vida boa não é de mais nem de menos, é a boa pra dois. Isso deve ser um sinal, não é? Triste realidade.

É, você, minha mãe, meus amigos e até mesmo meu professor de histologia acham que eu deveria colocar fim no que me machuca mais do que me faz bem. Mas será que alguém pode se colocar no meu lugar? Eu tirei toda a minha armadura, abandonei meus medos e ignorei meus princípios para ficar do lado dele. Ele descobriu coisas que eu não fazia ideia de que escondia. Fez meu corpo, minha alma, meu sorriso de mapa e explorou cuidadosamente cada sarda minha. E toda vez que me perguntam o que esse cara comum tem de tão incrível pra me manter fiel aos meus sentimentos mesmo na dor, eu me mantenho silenciosa. Sequer me dou ao trabalho de responder. Ele tem tudo ao seu favor e isso basta.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010




Oi? Eu que começo? Não sei bem como me comportar em uma situação dessas. É bem diferente do que eu esperava. Achei que seria mais fácil, levando em conta que nós sempre falamos dessas coisas com os amigos e no final, só resta dar boas risadas e deixar pra lá tudo que foi dito, né? Então, tá quente hoje, né? Vocês acham que amanhã vai chover? Eu não vou fazer prova final de semana, mas coitado do pessoal que vai. Tá ok, tudo bem, já entendi. Vou começar e parar de enrolar vocês assim. Oi, meu nome é Thais e eu tenho problemas com o desapego. Pronto, falei.

Não tem drama, teoria ou explicação. Demoro mais do que as outras pessoas para me desapegar ao celular que passei anos, daquela calça jeans que parecia se adequar a todos os meus passos e aos amores que eu juro que são os últimos que eu terei. Então, é isso. Eu me entrego facilmente a melancolia do "não ter" e depois de um tempo, é como se eu tivesse a maior dor do mundo dentro de mim. Eu sei, parece dramático demais e é, mas eu sou leonina. Não que isso seja uma grande desculpa. Eu sequer acredito tanto assim em astrologia, mas na hora que falta uma resposta na ponta da língua pra justificar os erros e a personalidade dificil de lidar, até de ascendente eu falo.

Minha falta de desapego é crônica. Não tem terapia e antidepressivo que dê jeito. Minha primeira paixão de colégio durou quatro anos, porque eu não olhava pros lados, como se namorasse sozinha. E não mudei muito. Basta o cara me dizer meia dúzia de palavras bonitas e descobrir meus pontos fracos, que eu já incluo fidelidade no pacote, como se fizesse parte da promoção o tempo todo e ele não tivesse percebido. É automático, não tem jeito. E quando tudo termina, eu fico assim, jogada pelos cantos, me achando a mulher mais boba de todas e querendo manter distância do sexo oposto. Sim, eu sei, eu mantenho distância e isso faz com que eu me apegue mais ainda ao falecido.

Me apego aos amores impossíveis e platônicos, aos meus celulares, a manter as unhas feitas toda semana, ao meu jeans preferido, a pensar na vida toda vez que pego ônibus, aos meus seriados, a educação em excesso, aos meus sentimentos que sempre são sinceros e até mesmo, em prendedores de cabelo. Não gosto muito de mudanças, mas acredito que são necessárias. Me envolvo de cabeça, corpo e alma em tudo que entro e tenho mania de contar toda a minha vida pra pessoas que eu mal conheço, esperando que elas tenham o mínimo de consideração e amizade por eu ter compartilhado meus segredos e sentimentos assim, sem hesitar. Eu sei, me desculpe, estou perdendo o foco. Mas isso é um apego também, né? Apego em compartilhar minhas felicidades esperando que o outro fique feliz também. Afinal, de que valeria a vida se não pudessemos nos apegar a pessoas que caminham ao nosso lado? É, eu sei que arrisco demais. Será que isso tem cura? Não sei não, heim. Será que é uma boa ideia? Eu posso pensar? Sei lá.. já passei tanto tempo convivendo com a ojeriza ao desapego que acho que me apeguei à ele.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010



O cara perfeito não me deixa louca, porque perdeu a hora com os amigos e esqueceu de dar notícias. Ele manda mensagem até no meio do futebol. Ele nunca cansa de me surpreender. Me manda flores e me enche de chocolates quando eu menos espero, nada de esperar datas comemorativas. Ele se veste bem, conhece bons restaurantes e está sempre disposto a me apresentar algo novo. Não cansa de me elogiar. Não cansa de dizer o quanto sou inteligente, bonita e especial. Ele não olha pra mais ninguém e me ama como se fosse a última pessoa por quem fosse se apaixonar. É intenso e carinhoso. Quase não tem ciúmes.

O cara perfeito é um completo cavalheiro. Adora as minhas amigas, passa horas conversando com a minha família e perde a noção do tempo quando brinca com meus cachorros. Não se atrasa, me enche de mimos e me acha a mulher mais bonita de todas mesmo quando chega de surpresa na minha casa, e me acorda com um beijo no olho. Fala palavrão só quando necessário, e quando fala, faz questão de se desculpar, e abre a porta do carro até quando a gente briga. Peraí, nós não brigamos. Nunca. O cara perfeito me faz a dona da razão, mesmo quando estou errada. Nunca se altera e sequer muda o tom de voz comigo.

O cara perfeito entende a minha tpm louca e não acha que é apenas uma invenção das mulheres. Ele vê comédia romântica no cinema. Aliás, ele vê o filme quando vai pro cinema comigo. Chega desses caras que escolhem o filme pela duração e querem me fazer de protagonista. Ele lembra todos os aniversários de mês de namoro, como se fosse o primeiro filho de um casal, sabe? Ah, como eu poderia esquecer disso... ele quer casar na igreja e ter, pelo menos, dois filhos. E faz questão de pedir a minha mão para o meu pai, como manda a regra.

Não some, não me trai e não me magoa. Parece que ele só dá um passo a frente depois de se certificar que o terreno é seguro para eu passar. Tem mania de proteção, é previsível, larga os amigos quando eu faço charme e não faz sexo, faz amor. Ele não bebe, não fuma e nunca experimentou nenhum tipo de droga. Vai à poucas festas, é caseiro. Prefere cinemas e teatros. Não é muito fã de lugares barulhentos com pessoas suadas e nenhum propósito de vida. Ele lê bons livros, escreve maravilhosamente bem e tem rostinho de menino mais novo, desses que dá vontade da gente colocar no colo e não largar nunca mais. Nenhuma barba, nenhuma história. Como se tivesse feito especialmente para você e ninguém tivesse tido a chance de tocar antes. E quer saber o melhor? O cara perfeito não existe. Ainda bem, porque ele seria um tremendo porre.

sábado, 25 de setembro de 2010



Ok. Ele tinha algo em especial. Afinal, me tirou do fundo do poço sem, ao menos, saber do quão funda era a minha solidão. Me deu a mão, me beijou como se tivessemos acabado de descobrir o beijo e passou a mão nos meus cabelos como se já me conhecesse há dias e soubesse exatamente de todos os meus pontos fracos. Ele despertou o meu lado mais romântico e sonhador. Eu não podia acreditar que finalmente as coisas estavam dando certo pra mim, depois de tantas escolhas erradas que já havia feito na vida. Eu sequer sabia pra onde correr enquanto ele estava na minha vida. E ele veio, cada dia mais, doce e sereno, agindo como se tivesse o mundo nas mãos e a pressa fosse sua pior inimiga. Não escondo meu choque, minha esperança e ausência de medo. Pelo contrário, procurei explicação na astrologia, nos livros, em búzios, cartas e todo o resto de enrolação que todo mundo diz existir. Eu só precisava que alguém me beliscasse e dissesse: Relaxa, Thais, não é só um sonho. As coisas finalmente estão dando certo pra você. E todos me disseram isso. Quer dizer, quase todos. Mas eu não me importava, ignorava todas as críticas e sinais negativos que você não era e nunca iria ser meu. E em um piscar de olhos, lá estavamos nós.. conversando sobre futuro, filhos, empregos. Com as mãos entrelaçadas e o coração quase saindo pela boca.

Poucas vezes na vida, ou melhor.. apenas uma vez, consegui encontrar alguém que realmente me fizesse pensar em futuro. De verdade, sabe? Sem aquela esperança boba dos casais temporários, que matam o tempo pensando em futuro, mesmo sabendo que nunca vão conseguir levar uma vida juntos. É de esperança de gente grande que eu tô falando. Eu quis que ele conhecesse minha família, mimasse meu papagaio e não tivesse hora pra sair da minha casa. E mesmo morrendo de medo, você me fazia esquecer de tudo e conseguia ser melhor do que todo o resto. Era só nós dois, no celular as cinco horas da manhã, fazendo mil declarações e sorrindo bobo. Nada mais importava. Aliás, isso era meio óbvio, não? Porque diabos eu ia ligar pro resto do mundo, se eu mal conseguia lidar com toda felicidade que explodia dentro de mim?

Demorei a acreditar que aquilo tudo era pra mim. Mas perdi as rédeas depois do primeiro Eu te amo. Eu não sabia se te abraçava pra sempre ou se segurava minha felicidade até você virar a primeira esquina, pra não te assustar. E naquele momento, eu descobri que era mais sua do que nunca. Como se já não bastasse tudo que me matava de felicidade, você ainda diz que me ama agora. Alguém tinha que avisar pra ele que isso não se faz. Não se dá tanto carinho pra um coração machucado. Eu já não tinha olhos pra mais ninguém. Ele me dava o básico de uma relacionamento e eu me portava como uma criança mimada, colocando as mãos nas orelhas, todas as vezes que alguém viesse com algum palpite tolo sobre nós. Ah, quer saber? Dane-se! Vou dar o meu melhor sem pensar duas vezes e... não me arrependi. Caramba, o que é isso? Ah sim, o alarme de perigo tocando.

Passou um, dois, três, seis meses. Abri meus olhos. Ele já não era o melhor cara do mundo. Já tinha virado mais um cara previsível. As promessas eram as mesmas de antes que não haviam sido cumpridas. Eram empurradas com a barriga, junto meu niilismo. Percebi que chegamos ao final, quando me perguntei: Cadê todo aquele amor ansioso que eu guardava dentro de mim? Ele aquietou. Meu coração de machucado pulou pra cansado. De cara incrível, você passou a ser mais um desses caras inseguros que querem abraçar o mundo, mas tem medo de dormir sozinho de noite. E todo dia, eu mato um pouquinho de você dentro de mim. Nada de músicas melancólicas e masoquismo típico do fim. Eu te mato sendo feliz. Abro as mãos e deixo as migalhas irem embora. Sem lágrimas, sem dor, sem ilusão. Eu te desejo tudo de melhor e espero que você queira o mesmo pra mim, por isso, peço pra que me deixe ir embora. Meu coração acelera, penso que não vou conseguir resistir, mas mantenho minha decisão. Coloco as mãos no seu rosto, enquanto olho pra você pela última vez e beijo delicadamente seus olhos. Sem pressa, não quero perder nenhum momento. Como um mantra, uma simpatia, uma despedida. Obrigada, eu penso. Deixo a chave em cima da mesa, bato a porta e sorrio aliviada.

domingo, 19 de setembro de 2010



Sem essa que desamor não dói e apenas a indiferença machuca de verdade. Ainda não encontrei nada pior do que a espera. A espera por um telefonema do cara incrível da noite passada, do resultado do exame de gravidez, da lista de aprovados do vestibular, de um pedido de casamento, de encontrar um rumo, uma carreira, uma vida que te faça feliz. Sempre fui a Senhora Impaciência. Passei a vida inteira sendo a favor de soluções drásticas e de problemas resolvidos na hora, sem essa história de empurrar com a barriga e deixar pro dia seguinte. Não gosto de fazer os outros esperarem minhas decisões, muito menos meus atos. Sempre estou arrumada antes do tempo previsto, chego nos encontros na hora certa e não suporto esperar por ninguém. Se administro meu tempo, porque as pessoas não podem fazer o mesmo?

Não acredito que exista hora certa para se apaixonar, momento certo para engravidar, lugar certo para conhecer a pessoa da sua vida. Sou impaciente demais pra deixar tudo nas mãos do destino. Eu quero e quero agora. Chamem do que quiser, inventem mil nomes e defeitos pra minha maneira de levar a vida. Eu não me importo. Ainda acredito que é melhor estar ligado a mil por hora do que andando a vinte e sendo infeliz. Odeio depender dos outros para ser feliz, mas dificilmente consigo viver sozinha. Não gosto de estar com gente que não sabe o que quer da vida e principalmente, do coração. Eu posso te amar pra sempre se você souber lidar com o que tem nas mãos. Fui criada e educada para a eternidade. Só me entrego pra quem tenho certeza de que amo, só aposto minhas fichas no que realmente acredito.

Não entendo como alguém tem dúvidas se está apaixonado ou não, castigando o outro com a distância e a saudade. É claro, existe saudade boa, saudade gostosa.. dessas de um dia pro outro. Do Eu te amo no pé do ouvido, do cheiro da pessoa amada na sua nuca, dos abraços acolhedores que ninguém tem igual. Mas saudade do beijo, da presença, do calor é a que mais dói. Estava pra nascer quem me tirasse de casa seja na chuva ou no sol, só pra ter algumas poucas horas de felicidade. Quem me fizesse cometer loucuras só pra dormir melhor a noite, realizada e sem qualquer culpa. E é nesse momento que percebo que não sei nada da vida.Conheci pessoas incríveis que me apresentaram o amor em várias intensidades e tamanhos, achei que já tivesse chegado ao meu limite de paixão e dor. E não é que eu estava enganada? Sem esse clichê de que o melhor amor, sexo, beijo ou seja lá o que for, é sempre o último da nossa vida. De jeito nenhum! Ninguém tem aquele beijo, aquelas mãos, aquele coração.

Veja bem, não estou falando de perfeição. Está longe disso. Ele sempre vai morar longe demais e parecer grande demais pra minha vida. Mas ainda assim, vai me fazer sentir uma saudade nunca vista antes e morrer um pouquinho em cada noite que passo sozinha, depois de uma briga. Por ele, deixo meu orgulho de lado, volto atrás e não me sinto boba. E não, se você não está apaixonado na mesma intensidade, não me julgue. Você nunca vai ser capaz de entender e vai dizer que só passo de uma menina perdida que fantasia demais o amor. Ninguém nunca será capaz de entender o bem que ele me faz. Pode não ser o suficiente pra minha família, pros meus amigos e para os caras que acham que mereço coisa melhor. Lá vai: Eu não mereço! Ele é exatamente o meu número. Pode falar o quanto quiser que tudo vai entrar por um ouvido e sair pelo outro. Além de mimada, geniosa e egoísta, também sou teimosa. O segredo da felicidade é não deixar os outros interfirirem no que realmente me faz feliz. Não quero viver com medo, muito menos colocando freio em tudo que sinto e digo. A adrenalina tira meus pés do chão e é desse jeito que eu sou feliz.

terça-feira, 31 de agosto de 2010




As mulheres crescem com os mesmos medos. Medo da menarca, de não mexer com a cabeça do sexo masculino, da primeira vez, do dia seguinte, do telefone nunca tocar, do corpo não se encaixar nos padrões que as pessoas criam, de nunca achar um amor correspondido, de terminar sozinha, da dor do parto, de barata, de não ter orgasmo. Os homens crescem com medo de fazer feio com o sexo oposto, da puberdade precoce, de ser o último a ser escolhido no futebol, de virgindade, de mostrar insegurança e ser hostilizado, de dizer pro pai que não quer seguir sua profissão, de ter um amor e ser fiel. Afinal, que homem (ou eu deveria dizer: que pessoa?) nunca teve medo de amar na hora errada e deixar de conhecer todas as coisas (e pessoas) pelo caminho? Mal sabem que o melhor da vida é feito a dois, que um relacionamento não tem hora certa pra acontecer. Mas tudo bem, o tempo ensina. Ou não.

Todos os medos se tornam compreensiveis a partir do momento que te dão limites. Se você não leva mais ninguém a sério e tem fobia de relacionamentos só porque o último não deu certo: Abre os olhos! As pessoas que mais insistem em nós, são as que mais valem a pena. Se você estudou e sacrificou todos os seus finais de semana por que sonha em ser médico ou advogado, mas não deu pra você: Lave o rosto e parta para a próxima batalha. Se é o seu sonho, não deixe que seu lado negativo aflore e perturbe o resto de esperança que te resta. Tudo que é conquistado fácil demais perde a graça. Bom mesmo é o gosto da vitória. Você sabe que perdeu anos, dispensou saídas, estudou além dos seus limites, se superou, trabalhou até seu corpo dizer não e no final, os resultados não poderiam ser melhores.

Eu tenho mil medos e fobias. Tenho medo de altura, mas tenho loucura para andar de avião. Tenho medo de me afogar (já que não sei nadar), mas faria facilmente um cruzeiro. Tenho medo de gente, mas ainda não encontrei nada melhor do que o amor. E tenho medo de machucar os outros. Diria que é raro, se não for impossível, me ver sendo egocêntrica. Não consigo usar pessoas só pra passar o tempo e não faço ideia de como se fica com uma pessoa que gosta de mim, enquanto eu não sinto nada além de carinho. Fico neurótica e me coloco o tempo todo no lugar dos outros. Não enrolo pessoas, não sei falar de sentimentos que não existem, não sei me acomodar com o que me perturba, e qualquer desamor me atormenta. E por essas e outras, morro de medo de terminar sozinha. Mas penso: Será que essas pessoas cheias de amores descartáveis não são os verdadeiros solitários? Eu não. Sou solitária, me apaixono por caras que dizem não pensar em outra pessoa, mas que basta eu virar as costas que eles repetem as mesmas frases e toques para qualquer rabo de saia que esteja disponível. Acabo me conformando com migalhas e seguro todos os farelos com as duas mãos, pra não perder nenhum sorriso.

Passei a vida superando meus pequenos medos. Medo de sofrer por amor, de tatuagem, piercings exóticos, extrair ciso, vacina, quebrar algum membro, bater a cabeça, depilação com cera quente, de perder quem eu amo, de decepcionar meu pai e principalmente, de envolver minha mãe nas minhas confusões. Tive medo de reprovação, de julgamento, de me acomodar com o que não me faz feliz, de ficar velha demais pra ir pra Disney, de sair da asa dos meus pais, de fazer algumas loucuras saudáveis, de ser feliz demais e não saber lidar com isso. E o medo de pensar demais? Porque sempre perco grandes chances. Em compensação, quando penso de menos, acabo morrendo de arrependimemto e me encho de desculpas terrivelmente ruins. Nós temos medo de nascer, de morrer e de trocar os pés pelas mãos nesse intervalo de tempo.